terça-feira, 28 de outubro de 2008

Chico Buarque - Com Açúcar, Com Afeto

Francisco Buarque de Hollanda, nasceu no Rio de Janeiro, 19 de junho de 1944. Filho do historiador e jornalista, Sérgio Buarque de Hollanda e Maria Amélia Cesário Alvim. Viveu sua infância em São Paulo, juntamente com seus pais e suas duas irmãs: Miúcha e Cristina Buarque de Hollanda, quando em 1953 seu pai foi convidado à trabalhar em Roma e levou toda a família.
Chico Buarque, músico, dramaturgo e escritor, foi um crítico fervoroso da ditadura militar e teve forte participação no processo de democratização brasileira. Suas canções sempre tiveram a preocupação de denúnciar os aspectos sociais, econômicos e culturais, e seu estilo musical teve influência da bossa nova, do samba e da MPB.
A música "A Banda" apresentada no festival da música popular brasileira de 1966 foi a porta de entrada para o sucesso, segundo declarações pessoais essa foi a música com a qual ele mais ganhou dinheiro. "A Banda" ganhou o primeiro lugar no festival da canção, empatada com a música "Disparada" de Geraldo Vandré. Declarações em um livro de Homem de Mello, diz que a música vencedora desse festival, foi "A Banda", mas que Chico Buarque ao saber dos rumores de que ganharia o festival, foi até a comissão do festival e disse que quem merecia ganhar era a música "Disparada", e que se isso não ocorresse ele entregaria no palco o troféu a Geraldo Vandré. A comissão resolveu dar o prêmio de primeiro lugar as duas músicas.
Durante muito tempo Chico Buarque usou o pseudônimo de Julinho de Adelaide, uma forma de driblar a censura, principalmente no governo do Presidente da República Emilio Garrastazu Médici. A música "Apesar de Você" foi uma crítica a esse presidente, que segundo lendas, a filha, para desgosto do seu pai, era uma fã ardorosa de Chico Buarque.
A música "Cálice" muitas pessoas acham que é uma parceira de Chico Buarque com Milton Nascimento, mas não, essa é uma parceira de Chico com Gilbeto gil.



No auge da ditadura militar muitos cantores e intelectuais brasileiros tiveram que deixar o Brasil. Chico Buarque, então casado com a atriz Marieta Severo, parte para morar na Itália, onde nasce a primeira filha do casal.


Escreveu muitas letras de músicas com Tom Jobim,Vinicius de Moraes, Toquinho, Milton Nascimento, Caetano Veloso, Francis Hime, Edu Lobo, Ivan Lins, entre outros.


Suas interpretes preferidas foram: Maria Bethânia, Elis Regina, Simone, Gal Costa, Nara Leão.
Foi o poeta que cantou e compôs a alma feminina com muita sensibilidade.


Chico Buarque escreveu várias peças de teatro, livros e crônicas.

Peças de Teatro escrita por Chico Buarque

Roda Viva
Calabar (O Elogio da Traíção) - Em parceria com Ruy Guerra
Gota D'Água - Parceria com Paulo Pontes (um projeto de Oduvaldo vianna Filho)
Ópera do Malandro
O grande circo místico

Livros escritos por Chico Buarque

Fazenda modelo
Chapeuzinho amarelo
A bordo do Rui Barbosa
Estorvo
Benjamim
Budapeste

Chico Buarque é torcedor do Fluminense, apaixonado por futebol e um habilidoso centroavante, dono de uma campo de futebol no Recreio dos Bandeirantes, onde tem por hobby jogar futebol com seus amigos e convidados (algumas celebridades).



Música Vai Passar
(Chico Buarque)

Vai Passar
Nessa avenida um samba popular
Cada paralelepípedo
Da velha cidade
Essa noite vai
Se arrepiar
Ao lembrar
Que aqui passaram sambas imortais
Que aqui sangraram pelos nossos pés
Que aqui sambaram nossos ancestrais

Num tempo
Página infeliz da nossa história
Passagem desbotada na memória
Das nossas novas gerações
Dormia
A nossa pátria mãe tão distraída
Sem perceber que era subtraída
Em tenebrosas transações
Seus filhos
Erravam cegos pelo continente
Levavam pedras feito penitentes
Erguendo estranhas catedrais
E um dia, afinal
Tinham direito a uma alegria fugaz
Uma ofegante epidemia
Que se chamava carnaval
O carnaval, o carnaval
(Vai passar)
Palmas pra ala dos barões famintos
O bloco dos napoleões retintos
E os pigmeus do bulevar
Meu Deus, vem olhar
Vem ver de perto uma cidade a cantar
A evolução da liberdade
Até o dia clarear

Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral vai passar
Ai, que vida boa, olerê
Ai, que vida boa, olará
O estandarte do sanatório geral
Vai passar

Site oficial Chico Buarque

5 comentários:

Alexandre Brendim disse...

Eu acho muito interessante saber o que inspirou um autor, em determinada música.

Muitas vezes, muda completamente o espírito da coisa, como você bem explica em seu texto.

Depois de ver listadas algumas músicas do Chico, fico pensando o que meus filhos vão postar em seus blogs no futuro, a respeito de músicas como É o Tchan, Dança da Motinha, Vai Lacraia entre outros..

Que tristeza..

merthiolatedigital disse...

que post maravilhoso viu !
por essas e outras que estou sempre por aqui !

beijos

Beth disse...

O Rappa e a Pitty gravaram músicas do Chico. Para surpresa de muitos, o show do Chico Buarque no Circo voador lotou. Isso é uma prova que essa geração também têm bom gosto e sensibilidade.
A exemplo do que ocorreu na 28ª Bienal de São Paulo, foi lástimavel a forma com que os jovens se comportaram, pichando as dependências da Bienal. Com certeza isso é um reflexo do baixo nível educacional e cultural do país.
Abraço alexandre

Claude Bukowski disse...

Que o Chico Buarque, hoje ( e já faz bastante tempo) é um dos mais importantes artistas deste país não há nem como iniciar a discussão.
Porém o CIDADÃO Chico Buarque, que tão brilhantemente lutou pela volta da democracia no Brasil, defende, com unhas e dentes (metaforicamente) o sanguinário fidel castro e seu irmão "serial killer" raul castro (com minúsculas mesmo).
Não há uma evidente contradição nesta postura?
Ou será que os assassinatos de esquerda são menos terríveis que os da direita.
Admiro espetacularmente o ARTISTA Chico Buarque. Já quanto ao CIDADÃO Chico Buarque este deixa muito a desejar. E sob este aspecto não sei não se a POSTURA do CIDADÃO não macula a obra do ARTISTA.
Assim como já fizeram outros de seu naipe: Gilberto Gil e Caetano Veloso.

De qualquer forma... Grandinho Chico.

Carlos Alberto Montenegro

Rodrigo Santiago disse...

Belo review. Acredito que o Chico seja mais ainda. Ele é o que as pessoas acreditam que ele seja. E não necessariamente o que ele realizou.