quinta-feira, 4 de março de 2010

Hélio Oiticica - Arte e Parangolés

Hélio Oiticica nasceu no Rio de Janeiro, 26 de julho de 1937. Oiticica foi um artista de vanguarda, polêmico e revolucionário que criou os famosos Parangolés.

Oiticica estudou pintura e desenho com Ivan Serpa no Museu de Artes Modernas do Rio de Janeiro. Participou do Grupo Frente e nos anos 50 fundou o movimento Neoconcretista, ao lado de nomes como Lígia Clark, Amílca de Castro e Ferreira Gullar, onde defendeu que a arte não era um mero objeto, ia além do geometrismo puro. Criou ao longo de sua carreira trabalhos bidimensionais, relevos espaciais, bólides, capas, estandartes, tendas e penetráveis.

 

helio oiticica

 

Em 1964 Hélio Oiticica começa a fazer as chamadas Manifestações Ambientais e se aproxima da cultura popular e do carnaval, ao criar os famosos Parangolés – capas, tendas, bandeiras, estandartes coloridos de algodão e náilon com poemas em tintas sobre algodão, que eram usados sobre o corpo. Os Parangolés era chamado por Oiticica de “antiarte por excelência”, uma escultura móvel que era vestido por uma pessoa.

 

parangole

 

Remando contra a maré (críticos e público em geral), Oiticica usou sua arte e estética como reflexão do mundo, suas tensões pessoais (drogas e homosexualismo).

 

helio oiticica artista performatico

 

“Hélio era um jovem apolíneo, até um pouco pedante, que trabalhava com seu pai na documentação do Museu Nacional, onde aprendeu uma metodologia: era muito organizado e disciplinado. Em 1964, seu pai morreu. Um amigo, o Jackson, levou o Hélio para a Mangueira […). Foi aí que ele descobriu um espaço dionisíaco, que não conhecia, não tinha a menor experiência. […] Aí ele começou a incorporar essa experiência do morro, aquilo começa a fazer parte dos conceitos dele, da vivência dele. As barreiras da cultura burguesa se rompem lá, é como se ele vestisse um outro Hélio, um Hélio do “morro”, que passou a invadir tudo: sua casa, sua vida e sua obra.” (Jacques, 2001:27).

O contato com o morro da Mangueira, a vivência nas rodas de samba em favelas cariocas, foram alicerces para o artista plástico Hélio Oiticica, ele usou a marginalidade social, a repressão política como tema de suas obras nos anos 60.

 

Seja-Marginal-Seja-Heroi-Biografia-Helio-Oiticica 

 

Entre seus trabalhos polêmicos, duas homenagens ao bandido e amigo de roda de samba, Cara de Cavalo, morto nos anos 60, aguça a relação conflituosa do artista com a crítica que o acusa de glamurizar o crime. Oiticica cria uma obra, um bólide (caixa de madeira, plástico ou vidro) com uma foto do bandido caído numa poça de sangue. Depois cria um estandarte com a reprodução da foto e a inscrição: “Seja marginal, seja herói”.

 

oiticica bolide caixa cara de cavalo

 

Em 1965 na abertura da mostra Opinião 65, no MAM/RJ, os amigos de hélio Oiticica da Escola de Samba Mangueira foram impedidos de entrar no museu e ele se indigna e foi expulso da mostra. Como ato de protesto realiza uma manifestação coletiva em frente ao MAM/RJ vestindo seus amigos da Mangueira com seus Parangolés.

Em 1968 realiza a manifestação coletiva chamada Apocalipopótese, onde usa seus Parangolés e os Ovos de Lygia Pape.

 

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Oiticica viveu um longo período fora do Brasil. Em 1969 apresenta em Londres, na Whitechapel Gallery o Projeto Éden. Na década de 70 passa a morar em Nova Iorque, por conta de uma bolsa de estudos que ganhou para estudar na fundação Guggenheim.

Oiticica Volta ao Brasil em 1978. No dia 26 de março de 1980,  Hélio Oiticica faleceu vítima de um AVC. Em 1981, com o objetivo de preservar, analisar e divulgar a obra de Oiticica, Waly Salomão e Lygia Pape criaram o projeto Hélio Oiticica (Projeto HO), que percorreu várias cidades como, Roterdã, Paris, Barcelona, Lisboa, Mineápoles e Rio de Janeiro.

 

Obras de Hélio Oiticica

 

helio oiticica hendrix warheros

 

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HelioOiticica 

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Em 1996, a Secretaria de Cultura do Rio de Janeiro fundou o Centro de Artes Hélio Oiticica, para abrigar e colocar a disposição do  público o acervo do artista. Mas em abril de 2009 a família de Oiticica, por questões monetárias, brigou com a Prefeitura do Rio de Janeiro e imprudentemente levou o acervo do artista para uma residência particular no Jardim Botânico e no dia 16 de outubro do mesmo ano, um incêndio destruiu quase todo o acervo do artista. Algumas obras de Oiticica foram salvas das chamas e hoje encontram-se espalhadas pelo mundo (museus) ou em posse da família.

 

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Frases, Pensamentos de Hélio Oiticica:

 

“Seja marginal, seja héroi.”

“A obra nasce de apenas um toque na matéria. Quero que a matéria de que é feita minha obra permaneça tal como é, o que a transforma em expressão é nada mais que um sopro; um sopro interior, de plenitude cósmica. Fora disso não há obra. Basta um toque, nada mais.”

“A ARTE é a amante mais cara que você pode arranjar. Com mesquinharia não se faz arte.”

 

Dicas de Livros:

* Hélio Oiticica – Qual é o Parangolé?

* A Invenção de Hélio Oiticica – Texto e Arte

* Fios Soltos – A Arte de Hélio Oiticica

 

Fonte de Pesquisa:

- Itaú Cultural

- Testemunho sobre Hélio Oiticica

- Hélio Oiticica – Um Escritor e seu Labirinto

 

Imagens das obras de Hélio Oiticica – Google Imagem

2 comentários:

Alexandre Mauj Imamura Gonzalez disse...

Artista polêmico!
Mas a polêmica saudável, que abre novos conceitos de arte.

Muito triste ver sua obra destruída pelo fogo. Restou muito pouco né.

Como sempre seus posts são geniais. Gosto muito. bjos

Marcia Sousa disse...

É ninguém falando da "inspiração" do Oiticica...ARTHUR BISPO DO ROSÁRIO....