segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Mandala - Círculo, Símbolo Divino da Arquitetura do Cosmo

Mandala é uma palavra , que significa círculo. Mandala - símbolo geométrico da dinâmica energética entre o homem, o cosmo e o divino. Universalmente a mandala é o símbolo da totalidade, da integração e da harmonia. Em várias épocas e cultura, a mandala foi usada como expressão científica, na, nas artes, e nas expressões religiosas, um reencontro com Deus.



Podemos ver mandalas na arte rupestre, no símbolo chinês do Yin e Yang, nos yantras da Índia, nas mandalas e thankas tibetanas, nas rosáceas da catedral de chartres, nas danças circulares, nos rituais de cura e arte índigenas, na alquimia, na magia, nos escritos herméticos e na arte sacra dos séculos XVI, XVII e XVIII.
O objetivo da arte na cultura budista tibetana é reforçar as Quatro Nobres Verdades.

Taiji - Símbolo Yin Yang



Esta mandala é uma representação do Tao. Na filosofia chinesa
este símbolo representa os princípios femininos Yin (preto) e o
masculino Yang (branco), que dentro da mandala (o círculo)
representa o todo, ou seja, o Tao (o Caminho).

A forma mandálica pode ser encontrada em todo início, na terra e no cosmo: a célula, o embrião, as sementes, o caule das árvores, as flores, os cristais, as estrelas, os planetas, o sol, a lua, as galáxias. A própria terra foi formada por uma explosão mandálica.

O Cérebro Humano - Forma Mandálica



Explosão Estelar



Toda explosão tem forma circular, seja de uma bomba, ou de uma estrela, como neste exemplo. No Universo as formas circulares e espiraladas são comuns.

Rosa



As flores possuem características e simbolismo próprios e formam lindas mandalas que harmonizam as pessoas e os ambientes.

Para que serve a Mandala?

A mandala pode ser utilizada na decoração de ambientes, na arquitetura, ou como instrumento para o desenvolvimento pessoal e espiritual. A mandala pode restabelecer a saúde interior e exterior. Pode-se usar a mandala para a cura emocional, cura de ambiente, como familiar e o de trabalho, ou para preparar um espaço especial, onde se pode meditar ou fazer sessões de cura, como massagem, Reiki (cura pelas mãos), astrológica, psicoterápica, atendimento clínico.

A Catedral de Brasília, assim como outras catedrais, usa a mandala para criar um ambiente sagrado e especial, muitos templos usam a geometria sagrada e a forma circular para fazerem suas construções e, assim, formarem uma aura protetora e especial no lugar.





Os budistas construíram as famosas Stupas, que são lugares consagrados à oração (santuários dos Budas - relicários). Dentro delas há relíquias de mestres iluminados, orações, pedras especiais e outros apetrechos sagrados. Elas possuem forma mandálica e os seguidores as reverenciam.



A forma geral da stupa demostra simbolicamente o caminho para a iluminação, budismo, da sua base, atraves do caminho, até o cume da percepção. Cada uma das oito stupas tem um significado particular, que representa um evento único na vida de Shakyamuni Budda.

Também a astrologia utiliza a forma mandálica para diagramar o zodíaco. O diagrama astrológico contém doze setores de 30 graus cada um, onde estão colocados os signos do zodíaco e que correspondem às doze constelações de estrelas fixas, as quais conservam até hoje o mesmo nome que na Antigüidade: Áries, Touro, Gêmeos, Câncer, Leão, Virgem, Libra, Escorpião, Sagitário, Capricórnio, Aquário, e terminando a Mandala Astrológica por Peixes.



Quando o astrólogo faz a leitura de um mapa natal ou mapa astral, percorre cada um desses setores que são regidos pelos planetas Sol, Lua, Mercúrio, Vênus, Marte, Júpiter, Saturno, Urano, Netuno e Plutão, correspondentes às casas onde ocorrem as experiências da vida. Vamos encontrar várias mandalas feitas pelos alquimistas com o tema da astrologia, principalmente nos séculos XVI a XVIII.

COMO ATUA O TRABALHO COM MANDALA

A mandala trabalha os seguintes aspectos pessoais: físico, emocional e energético. No aspecto físico, promove-se o bem-estar, o relaxamento e a prevenção do estresse. Emocionalmente, pode trabalhar conteúdos oriundos de emoções antigas, atuais ou futuras, pois sinaliza aqueles que irão emergir. Neste trabalho (mandalas pessoais), é muito comum surgirem traumas passados, que são colocados no desenho de forma sutil, só percebidos por quem souber fazer a leitura do que está sendo sinalizado. Esta leitura se faz por meio do traço, da forma, das cores, dos símbolos e de vários outros aspectos que aparecem quando se desenha uma mandala pessoal.
Qualquer pessoa pode se conhecer e se trabalhar com mandalas, tanto com a ajuda de um terapeuta, quanto sozinho. A pessoa pode fazê-lo confeccionando e colorindo mandalas, ou, ainda, meditando com elas. A mandala irá colocar, de forma sutil, no lugar certo aquilo que se encontra fora de lugar, Carl Gustav Jung diz que “A mandala possui uma eficácia dupla: conservar a ordem psíquica se ela já existe; restabelecê-la, se desapareceu. Nesse último caso, exerce uma função estimulante e criadora.”
No aspecto energético, a mandala ativa, energiza e irradia, podendo harmonizar ambientes físico ou pessoal carregados negativamente, ou aura de sofrimento e tristeza. Ainda energeticamente, a mandala pode levar a pessoa a contatos com dimensões supraconscientes e ao encontro de um caminho espiritual. Neste sentido, a mandala foi, e ainda é, muito utilizada para a meditação e para o desenvolvimento e a ampliação da consciência. No budismo tibetano os monges fazem-na de areia para depois serem ofertadas às divindades.
É importante saber que para qualquer finalidade que se queira alcançar trabalhando com mandalas tem de se desenvolver a perseverança, a persistência e a força de vontade. Trabalhar com mandalas é uma forma carinhosa de abrir o coração para a criatividade, a intuição e o amor.

Mandalas

Mandala tibetana Kalachakra ou Roda do Tempo




Kalachakra é uma divindade do budismo tibetano e reside no centro da mandala.
Esta mandala conecta com a paz e o equilíbrio interior e exterior e pode ser interpretada em três níveis: externo ou mundo físico, correspondendo aos elementos do universo, ao tempo e espaço, a matemática, astronomia e astrologia; interno ou corporal, correspondendo aos agregados psicofísico e a fisiologia do tantra e por último ao nível alternativo ou energia corporal, correspondendo aos caminhos das yogas e da meditação.

Calendário Maia



Os Maias possuiam um sistema circular de calendários que sincronizava com dois outros: o calendário Tzol'kin e o calendário Haab. O Calendário Maia prevê o final do ciclo terreno atual no ano 2012 quando se dará início a uma nova era.

Mandala Indiana



O QUE SE GANHA TRABALHANDO COM MANDALAS

A pessoa que trabalha com mandalas, sozinha ou com a ajuda de um terapeuta, beneficia-se de várias formas:

- prevenindo o estresse;

- preservando e organizando a saúde psíquica;

- aumentando a capacidade de atenção e de concentração;

- aumentando a capacidade de receptividade;

- aumentando a harmonia, a calma e a paz interior;

- aumentando a criatividade;

- ampliando a consciência;

- desenvolvendo o Eu Superior;

- encontrando um caminho espiritual.


Fonte:
Wikipédia Mandala (símbolo)
Mundo das Mandalas
Artigo Mandala

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Amor, Substantivo Feminino - História à Procura de Imagens

Uma História à Procura de Imagens - História de Cinema

Sua história daria um filme?

Com essa pergunta, a revista Continuum convidou seus leitores a narrar situações reais que renderiam boas cenas de cinema. A redação recebeu 224 relatos e o escolhido foi Amor, Substantivo Feminino, de Jesuane Salvador, de Poços de Caldas, Minas Gerais.

Que filme você faria com esta história?

Tendo em mãos uma filmadora, um celular, um software de animação ou qualquer outro dispositivo que gere imagens em movimento, interprete o episódio. Os melhores vídeos, selecionados pelo conselho editorial da Continuum, serão exibidos no site do instituto e seus autores ganharão o livro Ensaios e Reflexões − que reúne textos sobre a presença da linguagem cinematográfica nas artes visuais − e os catálogos da exposição Cinema Sim e da mostra O Visível e o Invisível, que exibiu filmes e vídeos que representam a produção cinematográfica realizada por artistas contemporâneos.

O autor do melhor vídeo ganhará, ainda, uma bolsa da oficina de adaptação na Academia Internacional de Cinema, de São Paulo, que apoia essa ação.

Os vídeos podem ser enviados até o dia 31 de março ao e-mail
participecontinuum(arroba)itaucultural.org.br ou ao endereço Avenida Paulista, 149, 5º andar, CEP:
01311-000, São Paulo e devem ter, no máximo, cinco minutos de duração. Leia o regulamento completo.




Imagem: João Pinheiro

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

Sete Maravilhas do Mundo Antigo

As sete maravilhas do mundo antigo, são uma lista de obras arquitetônicas erguidas na antiguidade clássica: Pirâmides de Gizé, Jardins Suspensos da Babilônia, O Templo de Ártemis em Éfeso, Estátua de Zeus em Olímpia, O Colosso de Rodhes, Mausoléu de Halicarnasso e o Farol de Alexandria. De todas as maravilhas do mundo antigo, apenas as pirâmides de Gizé ainda continuam em pé, as outras, umas são ruínas e outras tem existência dúvidosa, a exemplo, os jardins suspenso da Babilônia. Tudo que se sabe sobre essas maravilhas, surgiram dos relatos escritos por antigos navegantes e alguns podem ser comprovados por estudos arqueólogicos modernos. O certo é que as Sete Maravilhas do Mundo Antigo, lendas ou não, foram fonte de inspiração de poetas, políticos, escritores e pintores. Leia um pouco mais sobre cada uma dessas maravilhas:

Pirâmides de Gizé

As três pirâmides de Gizé: Keóps, Quéfren e Miquerinos, única antiga maravilha do mundo antigo que ainda existe. construída por volta do ano 2550 a.C, a pirâmide do meio, chamada de Khufu (Queóps), é uma construção de 230 metros de altura, a maior construção feita pelo homem, até que em 1889 foi construída a torre Eiffel.
Perto das três pirâmides, a esfinge se mantém em guarda.



Jardins Suspensos da Babilônia

Não fosse a dúvida de ter existido de fato, os jardins suspensos da Babilônia seria a segunda mais antiga das maravilhas do mundo antigo construído no século 6 a.C.
O conhecimento que temos hoje sobre os jardins suspensos da Babilônia vêm de interpretações de relatos antigos ou de visões artísticas da maravilha, pois nunca foi encontrado um sítio arqueólogico ou outro vestígio que pudesse comprovar sua existência.
Segundo teoria que sustenta sua existência, os jardins suspensos da Babilônia ficava ao lado do rio eufrates, na mesopotâmia (atual sul do Iraque). Eram terraços superpostos onde foram plantados árvores e flores, e ficava perto do palácio do Rei Nabucodonoso, que os teria mandado construir em homenagem à sua mulher, pois era como uma lembrança da terra natal da mesma.


Templo de Ártemis em Éfeso

O templo de Artemis em Éfeso (maior cidade da ásia menor), atual Turquia, foi construído para a deusa grega da caça e protetora dos animais selvagens,considerada a deusa padroeira do templo. Foi o maior templo do mundo antigo, em estilo arquitetônico jônico, foi construído em 550 a.C. pelo rei Creso, da Lídia. Hoje existe apenas um pilar da construção original em suas ruínas.



Foi destruído em 356 a.C. por Eróstrato, que acreditava que destruindo o templo de Ártemis teria seu nome espalhado por todo o mundo. O templo, começou a ser reconstruído em 323 a.C., ano da morte do macedônio. Mesmo assim, em 262 d.C., ele foi novamente destruído, desta vez por um ataque dos godos. Com o crescimento do cristianismo, o templo foi perdendo importância.

Estátua de Zeus em Olímpia

Zeus era o rei dos deuses gregos da mitologia que vivia no olimpo. A estátua de Zeus em Olímpia foi construída no século 5 a.C por Fídias. Feita em ouro e marfim e decorada com pedras preciosas, tinha entre 12 a 15 metros de altura e foi destruída em 462 d.C por um terremoto, após ter sido transferida para constantinopla (hoje, Istambul).


A estátua tinha um objeto em cada mão: na direita, uma estátua de Nike, a deusa da vitória, e na direita um cetro adornado por uma água. O trono de Zeus continha imagens em relevo sobre a mitologia dos deuses, semideuses e outros heróis.
A lenda diz que, ao concluir a escultura, Fídias pediu a benção de Zeus. Em resposta, um relâmpago atingiu o templo.

Colosso de Rodes (Rodhes)

O Colosso de Rodes é uma das Sete Maravilhas do Mundo Antigo. Mítica e imponente, era uma estátua de bronze de aproximadamente 30 metros que pesava 70 toneladas. Finalizada em 280 a.C pelo escultor Caré de Lindos, representava o deus Hélios que em sua mão direita segurava um farol que guiava as embarcações que entravam no porto da ilha grega a noite, que obrigatoriamente passava por entre suas pernas, já que cada um de seus pés se posicionavam em cada margem do canal que levava ao porto.
A estátua foi construída em comemoração a retirada das tropas macedônias que tentavam conquistar a ilha, e o material usado para sua confecção foram as armas deixadas pelo exército da macedônia.


A lendária Estátua do Colosso de Rodes, fonte de inspiração de poetas, políticos, escritores e pintores, ficou de pé durante 55 anos e após um terremoto caiu no fundo da baía ficando lá até que os Árabes chegaram na cidade e a venderam como sucata.
Apesar de Ptolomeu III ter se oferecido para reconstruí-la, os habitantes não aceitaram por acreditar na crença de que haviam de alguma maneira ofendido o deus Hélios.

Mausoléu de Halicarnasso

O mausoléu de Halicarnasso foi o suntuoso túmulo que a rainha Artemísia II de Cária mandou construir sobre os restos mortais de seu irmão e marido, o rei Mausolo, em 353 a.C.. Foi construído por dois arquitetos gregos — Sátiro e Pítis — e por quatro escultores gregos — Briáxis, Escopas, Leocarés e Timóteo.


Uma colina com vista para a cidade e a baía foi selecionada como local do mausoléu. Os trabalhos foram iniciados em 353 a.C. O mausoléu tinha 45 metros de altura, com uma base de 32 metros; incluía uma pirâmide de 24 degraus e sete metros de altura; e uma estátua encimando o conjunto, com altura de seis metros. O historiador Plínio, da era clássica, escreveu que o perímetro do mausoléu tinha 134 metros. Escavações mais modernas levaram uma equipe dinamarquesa que trabalhou no local entre 1966 e 1977 a revelar que a construção provavelmente tinha 30 por 36 metros, com 36 colunas de sustentação.
No século 15, terremotos abalaram a fundação do mausoléu, que despencou lentamente. Por volta de 1494, os Cavaleiros de São João de Malta usaram os restos do tempo para reforçar seu castelo. Eles também queimaram colunas de mármore para criar argamassa.


Escavações no mausoléu localizaram coisas bastante interessantes. Em 1522, Charles Guichard localizou a câmara de sepultamento de Artemísia, que continua um sarcófago de alabastro - mas, misteriosamente, nenhum cadáver. A equipe dinamarquesa que escavou o local no fim dos anos 60 encontrou restos de ovos, pombas, carneiros e bois, provavelmente oferecidos ao rei e rainha como alimentos para depois da morte.
Hoje, os fragmentos desse monumento são encontrados no Museu Britânico, em Londres, e em Bodrum, na Turquia.

Farol de Alexandria

De acordo com Plutarco, Alexandre teve um sonho no qual foi instruído a procurar a pequena ilha de Faros, logo ao largo da costa do Egito. Ele escolheu Ptolemeu 1° Soter, um dos generais de seu exército, para liderar a colonização da ilha. Ptolomeu decidiu que Faros precisava de algo que a identificasse, simbólica e literalmente, pois a costa era difícil de navegar.

Representação gráfica do Farol de Alexandria


Alguns estudiosos atribuem a idéia do farol a Ptolomeu e outros a atribuem ao mouseion, um conselho consultivo do governo. A construção começou por volta de 285 a.C. Um homem chamado Sóstrates de Cnido teve papel decisivo no processo. Alguns relatos o apontam como patrocinador financeiro da obra. O farol custou cerca de 800 talentos, ou barras de prata, o equivalente a cerca de US$ 3 milhões. Outros relatos o apontam como arquiteto do farol.
Ele foi construído de mármore e argamassa, e tinha três andares. O primeiro nível era retangular, o segundo octogonal e o terceiro cilíndrico. Por sobre o terceiro piso existia uma estátua - ou de Zeus ou de Poseidon, deus do mar. Relatos de viajantes mouros do século 10 d.C. estimam a altura do farol em 300 cúbitos, ou 137 metros.

Fonte de Pesquisa e fotos:

Uol- As sete maravilhas do mundo antigo
Wikipédia - Sete maravilhas do mundo antigo
Google imagens

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Joãosinho Trinta - A Trajetória e Projetos do Mestre do Carnaval Brasileiro

Joãozinho Trinta é o apelido de João Clemente Jorge Trinta, maranhense que nasceu na cidade de São Luís, 23 de novembro de 1933. Artista plástico e carnavalesco, um grande ícone do carnaval brasileiro que veio para o Rio de Janeiro ainda jovem e estudou dança clássica no Teatro Municipal RJ, montou óperas e balés: "O Guarani" de Carlos Gomes e "Aida", de Giuseppe Verdi.
Sua notoriedade foi conquistada como carnavalesco: ousado, polêmico e criativo. A trajetória de sucesso começou quando ingressou na Escola de samba Acadêmicos do Salgueiro, em 1961, como assistente do carnavalesco Fernando Pamplona e Arlindo Rodrigues, juntos conquistaram o primeiro lugar do segundo grupo com o samba enredo "Eneida: Amor e Fantasia.
Os anos seguintes confirmam que Joãosinho Trinta nasceu predestinado a profissão de carnavalesco. A trajetória de vitórias, polêmicas faz de Joãozinho Trinta, um gênio ousado, um ícone do carnaval brasileiro.
Em 1973, Joãosinho passou, juntamente com a artista plástica Maria Augusta, a ser o carnavalesco do Salgueiro.
Com o Samba enredo, "O Rei de França na Ilha da Assombração" conquistou o primeiro lugar do grupo 1, em 1974. Em 1975 a façanha se repetiu com o samba enredo "O Segredo das Minas do Rei Salomão", foi o primeiro lugar do grupo 1.
Em 1976 após se afastar da Escola Acadêmicos do Salgueiro, Joãosinho Trinta tranferiu-se para a Beija-flor de Nilopólis onde criou e colocou em execução um belíssimo programa social de inclusão da população carente, e se mostrou um líder competente e criativo.
Gerou muitas polêmicas ao misturar o sagrado em uma festa culturalmente profana e com isso um grande desafeto com a Igreja Católica. Foi alvo também de duras críticas por levar para avenida fantasias muito luxosas, a essas críticas respondeu com a frase histórica: "Quem gosta de miséria é intelectual".
Nos 17 anos que trabalhou como carnavalesco da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis, Joãosinho Trinta conquistou os seguintes títulos:

1976- Sonhar com Rei dá Leão - 1º lugar
1977- Vovô e o Rei da Saturnália na Corte Egípcia - 1º lugar
1978- A criação do Mundo na tradição Nagô - 1º lugar
1979- P Paraíso da Loucura - 2º lugar
1980- O Sol da meia noite, uma viagem ao país das maravilhas - 1º lugar
1981- A oitava das sete maravilhas do mundo - 2º lugar
1982- O olho azul da serpente - 2º lugar
1983- A grande constelação das estrelas negras - 1º lugar
1984- O gigante em berço esplendido - 3º lugar
1985- A lapa de adão e eva - 2º lugar
1986- O mundo é uma bola - 2º lugar
1987- As mágicas luzes da Ribalta - 4º lugar
1988- Sou Negro do Egito, à liberdade - 3] lugar
1989- Ratos e urubus larguem a minha fantasia - 2º lugar
1990- Todo mundo nasceu nú - 2º lugar
1991- Alice no país das maravilhas - 4º lugar
1992- Há um ponto de luz na imensidão - 7º lugar - ùltimo desfile feito pelo Carnavalesco Joãosinho Trinta, pela Escola Beija-Flor de Nilópolis.

Outras conquistas depois que saiu da Escola de Samba Beija-Flor de Nilópolis

Em 1993, Joãosinho Trinta não participa do carnaval.
Em 1994, o carnavalesco volta ao cenário do carnaval carioca, dessa vez como carnavalesco da Escola de Samba Unidos da Viradouro. Com o samba enredo "Teresa Benguela - Uma Rainha Negra no Pantanal", conquistou o 3º lugar do grupo especial.
Em 1995, pela Viradouro, conquista o 8º lugar do grupo especial , com o enredo "O Rei e os Três Espantos de Debret.
1996, com o enredo "Aquarela do Brasil, ano 2000", amargou o 13º lugar do grupo especial.
1997, conquistou o primeiro lugar do grupo especial, com o enredo "Trevas! Luz! A Explosão do Universo". Joãosinho Trinta sofre um derrame, que paralisou um lado do seu corpo, mas mesmo assim continuou seu trabalho.
1998, ainda na Viradouro, conquistou o 5º lugar, com o enredo "Orfeu o Negro do Carnaval".
1999, o enredo "Anita Garibaldi, Heroína das Sete Magias", ganhou o 3º lugar do grupo especial.
No ano de 2000, Joãosinho Trinta fez seu último carnaval como carnavalesco da Viradouro. com o tema ""Brasil, visões de Paraíso e Infernos", conquistou o 3º lugar do grupo especial.

Em 2001 joãosinho Trinta entra para a escola Acadêmicos do Grande Rio, e com o tema "Gentileza, o Profeta Sai do Fogo", conquista o 6º lugar do grupo especial.
2002, o tema do enredo foi "Os Papagaios Amarelos nas Terras Encantadas do Maranhão", que conquistou o 7º lugar do grupo especial.
2003, ainda como carnavalesco da Grande Rio, Joãosinho Trinta conquista o 3º lugar do grupo especial, com o enredo "O Nosso Brasil que Vale".
Em 2004, Joãosinho Trinta faz seu último carnaval pela Grande Rio. Com o enredo "Vamos Vestir a Camisinha meu Amor", uma abordagem sobre a prevenção da Aids, gerou mais uma polêmica com a Igreja católica e com a própria diretoria da escola de samba Grande Rio, que não ficou satisfeita com a concepção do enredo, que segundo a diretoria Joãosinho Trinta fugiu da ideia original que era a conscientização do uso da camisinha e do perigo das doenças sexualmente transmissíveis, e voltou-se para um tema mais sexual e tentou levar para avenida carros alegóricos que reproduziam imagens do "Kama Sutra", tendo dois carros com cenas de sexo, cobertos no dia do desfile, por determinação da promotoria de infância e juventude. A escola ficou em 10º lugar e no dia da apuração o carnavalesco foi demitido do cargo.
Nesse mesmo ano a escola de Samba Acadêmicos da Rocinha, homenageou Joãosinho ao levar para avenida a vida e a obra do grande gênio, um "Tributo ao Mestre". Joãosinho é vitima de mais uma isquemia.

Afastado a quatro anos das escolas de samba do Rio de Janeiro, Joãosinho Trinta volta ao cenário em grande estilo. Esse mês, joãosinho Trinta foi passear em Goiáis, cavalcante, uma pequena cidade do interior, com apenas 10 mil habitantes. Recebido como Rei, Joãosinho ensinou e ajudou os moradores, que acostumados a folia de Reis e música caipira, organizarem um grande e animado carnaval. Improvisou um barracão, desenhou fantasias e orientou as costureiras, organizou bateria e convidou descendente de escravos para apresentar a sussa, dança tipica quilombola, e provou com a genialidade e ousadia própria de sua personalidade, que carnaval é uma festa brasileira que tem raízes mesmo quando o povo não tem consciencia disso. O ensaio foi uma festa que levou ao delírio quem nunca antes havia brincado um carnaval.

Os problemas de saúde do mestre, parece não impedi-lo de fazer audaciosos projetos, um deles é formar uma escola de samba que viajará o mundo. Pensando nisso, Joãosinho Trinta vai assistir os desfile das escolas de samba de São Paulo, na tentativa de buscar apoio de empresários e escolas de samba.


Outro grande projeto de Joãosinho trinta é um enredo que pretende falar de Brasilia, em comemoração aos 50 anos da criação da cidade. Nada melhor do que falar de Brasilia com quem mais entende do assunto, seu criador Oscar Niemeyer, que já se comprometeu com a criação de um dos carros alegóricos. Uma das ousadias do carnavalesco é levar para a avenida todos ex-presidentes do Brasil que estiverem vivos e os já falecidos seriam representados por atores.
Tudo indica que há uma grande chance da Escola de samba Beija-Flor de Nilópolis abraçar esse projeto do Carnavalesco Joãosinho Trinta. Seria uma trindade espetacular essa união entre dois gênios, e uma escola que é uma das maiores referência do Carnaval Carioca. Vamos Aguardar para assistir essa apoteose!

Entrevista da Folha de São Paulo com Joãosinho Trinta

FOLHA -O que o Joãosinho Trinta anda fazendo?

JOÃOSINHO TRINTA - Temos o projeto "Samba das Nações". Tive a idéia há um ano. É a criação de uma escola de samba de atuação internacional, que deve viajar pelo mundo com temas que envolvem todos os povos, como meio ambiente, fome, violência e conflitos étnicos. Vim tentar o apoio aqui porque iremos formar a escola com os elementos de todas as escolas de samba daqui de São Paulo. Vamos escolher de cada uma o que ela tiver de melhor, como a ala das baianas e a comissão de frente.

FOLHA - Por que as escolas de São Paulo?

JOÃOSINHO - Há possibilidade de lançarmos a escola aqui em São Paulo. A escola terá apoio, além das embaixadas, de grandes empresas brasileiras e internacionais, da ONU, da Unesco, do governo federal e de governos estaduais.

FOLHA - O que já tem de garantido nesse projeto?

JOÃOSINHO - A formatação da escola e o apoio de várias embaixadas, como da Austrália, dos Estados Unidos, da França, de Portugal, da Síria.

FOLHA - Como o senhor avalia o Carnaval de São Paulo? Está no nível do Rio?

JOÃOSINHO - Está chegando muito perto. Já se vê participação do povo, tem gente boa trabalhando.

FOLHA - O que está faltando?

JOÃOSINHO - Falta tempo para amadurecer. O Carnaval do Rio tem mais tempo.

FOLHA - O que o senhor acha do merchandising praticado pelas escolas daqui?

JOÃOSINHO - Ele é positivo. Depende da inteligência dos carnavalescos, porque qualquer assunto pode se tornar um tema de Carnaval. Eu mesmo tenho experiência própria, quando fiz o enredo para a escola carioca (Grande Rio) sobre a Vale do Rio Doce (em 2003), com o enredo "O Brasil que vale". Fiz isso sem citar e sem focar diretamente a empresa, contando sua história, que tem ligação com a do Brasil. Não desvirtua o espírito do carnaval.

FOLHA - A escola Rosas de Ouro vai lançar um novo produto no seu desfile deste ano, sobre o perfume. O senhor concorda com isso?

JOÃOSINHO - O perfume é um bom tema, é uma história bonita, mas se for muito afrontoso esse lançamento eu não concordo. Afrontoso é insistir numa marca. Mas se for feito de maneira sutil, se forem ressaltados outros ângulos, ai sim. Depende da forma. Mas esse lançamento de produto eu não gosto.

FOLHA - O senhor acha que já se torna exagero dentro da idéia de merchandising lançar um novo produto?

JOÃOSINHO - Já, dependendo da maneira. Errado é falar da marca explicitamente, distanciar essa marca do assunto principal.

FOLHA - O que o senhor acha das escolas usarem enredos com temas repetitivos?

JOÃOSINHO - Um enredo não é um tema que se repete, ele é a maneira de se fazer. Duas escolas podem ter o mesmo enredo e, no entanto, cada uma fazer um desenvolvimento totalmente diferente do outro.

FOLHA - A criatividade então não está no tema?

JOÃOSINHO - Está na confecção, na dinâmica de cada escola.

FOLHA - Como o senhor está se recuperando dos problemas de saúde?

JOÃOSINHO - Estou me recuperando muito bem. Decidi morar em Brasília por esse motivo (faz tratamento no hospital Sara Kubitschek). Vou criar oficinas de escultura, de fantasias, de evolução para as escolas de lá, trabalhando na orientação e formação de profissionais para a cadeia produtiva do Carnaval. Vou trabalhar por dois anos para mostrar resultados em 2010, no aniversário de 50 anos de Brasília.


Fonte:
Um Tributo ao Mestre do Carnaval - Uol Educação
Joãosinho Trinta Ajuda Cidade de Goiás com 10 mil habitantes a fazer carnaval
Joãosinho Trinta e Niemeyer juntos na Beija-Flor em 2010
Site da Escola de samba Beija-flor

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Rádio, Dança e Teatro 'Em Cena Sonora' - Baixe e Ouça

Rádio, dança e teatro: dá para misturar?

Esse foi o desafio que lançamos a artistas de várias origens − músicos, bailarinos, atores, diretores, poetas e coreógrafos.

O resultado é Em Cena Sonora, nova série da Rádio Itaú Cultural, com programas experimentais que misturam artes cênicas com peças sonoras.

Com diferentes abordagens, os quatro programas sugerem imagens, movimentos e encenações que você ouve ou baixa para ouvir onde quiser. Confira!



Imagem: Thembi Rosa em Caí, Levantei, mas Não Morri Ainda Não... | divulgação

sábado, 14 de fevereiro de 2009

A Chave de Salomão - Símbolos Maçônicos no livro de Dan Brown

A 'Chave de Salomão', deverá ser o título do próximo livro de Dan Brown. Especula-se que a arquitetura da cidade de Washington será o ponto de partida onde o professor Robert Langdon viverá mais uma aventura que terá como objetivo decifrar os supostos símbolos maçônicos impregnados na arquitetura da cidade.

Veja abaixo por onde a trama de Dan Brown pode passar.


A lenda sobre a nota de um dólar, com o 'olho que tudo vê' e a pirâmide luminosa.




Washington Family Portrait - Quadro exposto na National Gallery for Art


O quadro de Edward Savage , mostra três integrantes da família Washington reunidos ao redor de um mapa da cidade. Todos apontam para o plano, formando com os dedos uma misteriosa área triangular. No canto da imagem, o neto de Washington segura um compasso - símbolo maçônico - sobre o globo terrestre.

Monumento a Washington


A idéia original era colocar aqui os restos mortais de george Washington, mas a família do ex-presidente vetou o plano. A pedra fundamental do monumento foi lançada pelo grão-mestre da maçonaria na cidade, em 1848. a história do obelisco está, indiretamente, ligada ao vaticano: uma pedra de mármore foi doada pelo papa Pio 9 para sua construção. Mas o bloco foi roubado e sua localização até hoje é desconhecida.

Avenida Pennsylvania


Alguns especialistas afirmam existir um alinhamento da avenida, no trecho entre a Casa Branca e o Capitólio, com a estrela Sirius, que é associada
à deusa Ìsis, do Egito antigo. Pode estar aí um dos elementos do sagrado feminino de que Brown tanto falou em o Código da Vinci.


Compasso entre o Capitólio, Casa Branca e Memorial a Jefferson


Muita gente vê no mapa da cidade um compasso com a cabeça no Capitólio e cada uma das pernas na direção da Casa Branca e do Memorial a Jefferson. "É possível aplicar esse desenho triangular a qualquer mapa e fazê-lo funcionar. O que não quer dizer que ele estava previsto no plano original da cidade", diz Paul Dolinsky, chefe do orgão do governo americano responsável pelo patrimônio arquitetônico do país.

Amadeus Mozart


O compositor era bastante ativo numa das lojas de viena. compôs pelo menos oito canções para a ordem e colocou tantos símbolos maçônicos em a Flauta Mágica , que a ópera chegou a ser descrita como um "Livreto de Propaganda pró-maçonária".

Jânio Quadros


É o único presidente na história do Brasil comprovadamente maçom – apesar de FHC também ser freqüentemente apontado como membro da ordem. Fotos do maçom Jânio decoram a ante-sala do grão-mestre da principal loja de SP.


Simón Bolívar


Ícone da independência sul-americana, o venezuelano freqüentava a loja maçônica Lautaro, conhecida pelo discurso antiespanhol. Revolucionários como San Martín e Bernardo O’Higgins também participavam das sessões .


Harry Truman


Antes de ocupar a Presidência americana durante a 2º Guerra Mundial e autorizar o lançamento das bombas atômicas de Hiroshima e Nagasaki, foi grão-mestre da maçonaria no Missouri, seu estado natal.


D. Pedro I


O imperador teve uma relação de amor e ódio com a maçonaria. Sua passagem pela ordem durou 3 meses. Tempo suficiente para ele ser iniciado, ascender a grão-mestre e então proibir todas as atividades maçônicas no Brasil.


Benjamin Franklin


Cientista e ativista político americano, usou seus contatos nas maçonarias da França e da Inglaterra para conseguir apoio à causa da independência dos EUA, da qual foi um dos principais líderes.


1. De peito aberto


Com os olhos vendados o iniciado é levado ao templo por um maçom que vai acompanhá-lo durante toda a cerimônia. Ele deverá ter nus a perna direita, até a altura do joelho, e também o lado esquerdo do peito – a origem desse costume seria uma tentativa de se certificar que não se trata de uma mulher.


2. 360o


Antes de começar a iniciação, o candidato é girado em torno de si para perder o senso de direção. A seguir, começa a cumprir as provas que representam a passagem por fogo, água, ar e terra. Numa delas, ouve espadas tinindo ao redor do templo.


3. Montanha-russa


O iniciado encontra obstáculos: uma gangorra onde sobe sem saber que está prestes a cair. Ou uma almofada de pregos em que é convidado a descansar – os metais serão retirados poucos antes de ele sentar. A idéia é testar sua confiança. Depois, é levado para uma pia, onde se purifica lavando as mãos, e é incensado 3 vezes.



4. Batismo de sangue


O iniciando se compromete ao sacrifício pela pátria, pela humanidade e pela ordem. O venerável mestre então manda imprimir em seu peito uma marca que o tornará reconhecível para todos os maçons – na verdade, aproxima da pele um pedaço de ferro aquecido que transmite a sensação de calor.


5. Sim ou não


Após se comprometer a guardar em segredo tudo que escutar e a fazer caridade, o iniciado deixa o templo para os maçons decidirem se o aceitarão. Em caso positivo, o rito segue. Com um compasso numa mão e a outra sobre a Bíblia, o iniciado faz um juramento. O mestre diz: "De hoje em diante, estais ligado para sempre à nossa ordem".


6. Faz-se a luz



Mais uma vez o iniciado sai da sala. Quando volta, encontra o templo às escuras e todas as espadas apontadas para ele. Só um sustinho. As luzes são acesas e, com uma espada sobre a cabeça, o iniciado recebe o avental de aprendiz e ouve a revelação dos segredos como toques, palavras e sinais. Está para sempre na maçonaria.


COMPASSO e o ESQUADRO


O instrumento que desenha círculos perfeitos significa a busca pela perfeição. É o símbolo do raciocínio maçônico.
O Esquadro, Seu ângulo reto mostra como o homem deve levar uma vida honesta. Ao lado do compasso, representa a união de idéias e ações.


AVENTAL


Lembra que todo homem nasceu para o trabalho e que um maçom deve trabalhar insistentemente para a descoberta da verdade e melhora da humanidade.


TRÊS PONTOS


Tem várias interpretações reconhecidas. Lembra o místico delta, faz referência ao tripé liberdade, igualdade e fraternidade e às qualidades indispensáveis ao maçom: amor, vontade e inteligência.

As 12 Colunas de um Templo Maçônico


Um templo deve ter 12 colunas, para lembrar os 12 signos do Zodíaco.

Templários


A ordem com sede no templo de Jerusalém foi criada após a primeira cruzada para proteger peregrinos. Vitaminada por doações de nobres, ganhou poder a ponto de incomodar o rei da França e o Papa. Juntos, eles tramaram para mandar os templários para as fogueiras da inquisição.

Iluminati


Fundada em 1776, pretendia se infiltrar nos governos para controlar decisões nacionais. a ambição gerou perseguição feroz e em menos de 10 anos a sociedade estava praticamente exterminada.

Rosacruz


Ordem que prega a tolerância religiosa fez muito sucesso com os intelectuais do século 17. Seus rituais e sinais secretos têm seguidores até hoje.

Skull and Bones


Para muitos, é a mais poderosa sociedade secreta atual. Aceita apenas alunos da universidade Yale, uma das mais elitizadas dos EUA. Entre seus integrantes estão George W. Bush, John Kerry, ministros da suprema corte e alguns dos influentes empresários do país.


Fonte de pesquisa:
Dan Brown lançará novo livro com protagonista de 'Código da vinci'
A Ordem - Super Abril - Sobre a Maçonaria
Está na internet o trailer de 'Anjos e Demônios'
Fotos google imagem

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Darwin Matou Deus quando Criou a Teoria Evolucionista?

O aniversário de 200 anos de nascimento de Charles Darwin, cientista naturalista criador da teoria da evolução ou evolucionismo (a seleção natural) está sendo comemorado esse ano e juntamente com essa comemoração voltam à tona as polêmicas que giram em torno do conflito entre Darwin x criacionismo. Fica a pergunta - Darwin teria matado Deus, quando criou a teoria evolucionista?



O texto de Rodrigo Cavalcante,"Procura-se um Deus" - (Revista superiteressante), aborda esses questionamentos. Apesar de longo, o texto é sensacional, vale a pena ler!

Em pleno século 21, a humanidade continua tentando conciliar fé e razão. Mas será que algum dia a ciência terá condições de provar que foi mesmo Deus (ou alguma outra entidade superior) quem criou o Universo e determinou os rumos da evolução?

O zoólogo Richard Dawkins e o paleontólogo Simon Conway Morris têm muito em comum: lecionam nas mais prestigiadas universidades da Grã-Bretanha (Dawkins em Oxford e Morris em Cambridge) e compartilham opiniões e crenças científicas quando o tema é a origem da vida. Para ambos, a riqueza da biosfera na Terra é explicada mais do que satisfatoriamente pela teoria da seleção natural, de Charles Darwin. Os dois também concordam que, caso a história do nosso planeta pudesse ser reproduzida em outro lugar, a evolução provavelmente seguiria um rumo bem parecido ao observado por aqui, inclusive com o aparecimento de animais de sangue quente, como nós. Num encontro realizado na Universidade de Cambridge em outubro, porém, eles protagonizaram um novo round de um debate que divide a humanidade desde que o mundo é mundo: Deus existe? Morris, cristão convicto, afirmou na palestra promovida pela Fundação John Templeton (cuja missão é "explorar as fronteiras entre teologia e ciência") que a "misteriosa habilidade" da natureza para convergir em criaturas morais e adoráveis como os seres humanos é uma prova de que o processo evolutivo é obra de Deus. Já o agnóstico Dawkins disse que o poder criativo da evolução reforçou sua convicção de que vivemos num mundo puramente material. O debate entre Dawkins e Morris, como já foi dito, não é novo, longe disso. De um lado, é óbvio que sempre haverá bilhões de pessoas que acreditam em Deus. Ao mesmo tempo, dificilmente vamos viver para comprovar Sua existência (ou inexistência). Entender alguns laços que unem ciência e religião e mostrar como essa relação vem mudando ao longo dos tempos é o tema desta reportagem.

Durante muitos séculos, Deus (e só Ele) foi apresentado como o principal responsável pelo sucesso da aventura humana sobre o planeta – nas artes, nos livros, nas escolas e nas igrejas. Até que a ciência começou a mostrar que isso não era necessariamente verdade. Na década de 1860, a teoria da seleção natural e da evolução das espécies, de Charles Darwin, lançou as primeiras dúvidas consistentes acerca da influência divina sobre a ordem da vida na Terra. Com o passar dos anos, mais e mais pesquisadores passaram a defender que o destino da humanidade era abandonar gradativamente a fé e a religião em nome da crença em explicações "objetivas" para os fenômenos naturais. "No fim do século 19, os cientistas acreditavam estar muito próximos de uma descricão completa e definitiva do Universo", escreveu o físico britânico Stephen Hawking.

No século 20, Nietzsche, Marx, Freud, Sartre e outros chegaram a apostar na "morte" de Deus e no início de uma "era da razão". Não é preciso ser um especialista para saber que esse triunfo não se concretizou. Ao contrário. O que se observa hoje é uma revalorização da fé, inclusive entre os cientistas, como Simon Morris. "Ao longo da história, a relação do homem com o sagrado tem se mostrado um traço extremamente persistente", diz Oswaldo Giacoia Júnior, professor de história da filosofia moderna e contemporânea da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp. "Nos regimes socialistas em que a religião era proibida as pessoas substituíam a fé por uma ideologia."

Cabe, então, à ciência provar a existência de Deus? O paleontólogo americano Stephen Jay Gould acredita que nenhuma teoria (nem mesmo a da evolução) pode ser vista como uma ameaça às crenças religiosas, "porque essas duas grandes ferramentas da compreensão humana trabalham de forma complementar, e não oposta: a ciência para explicar os fenômenos naturais e a religião como pilar dos valores éticos e da busca por um sentido espiritual para a vida". É por pensar assim que ele sempre se colocou do lado dos pesquisadores que são contra misturar ciência com religião.



Quem é Deus?

O cabelo e a barba grisalhos denunciam a idade, mas o corpo é forte e musculoso. Os traços da face transmitem a autoridade de quem não hesitará em agir sobre o mundo caso seja necessário. Para bilhões de ocidentais, a pintura de Michelangelo no teto da capela Sistina, no Vaticano, é a síntese perfeita de Iavé, o Deus bíblico, aquele que "criou tudo em 6 dias". Como diz o escritor americano e ex-jesuíta Jack Miles, autor de Deus, uma Biografia, mesmo quem não acredita continua moldando seu caráter por influência dessa imagem. Miles faz uma análise surpreendente da Bíblia, ao tratar de Deus como um personagem literário. O resultado é que, como protagonista do livro mais influente da história, Iavé revela uma personalidade que oscila bastante em relação à sua criação – como no momento em que ordena o dilúvio, para tentar "consertar" tudo.

Mas esse Deus é apenas uma entre inúmeras concepções de divindades. Não há sequer consenso em torno do número de deuses. Para mais de 750 milhões de hindus, existem centenas deles, como Brahma, Shiva e Krishna, para ficar nos mais conhecidos. Em rituais xamânicos de origem indígena, os deuses incorporam até em plantas e animais. E para mais de 350 milhões de seguidores do budismo, não há sequer uma divindade a cultuar – apenas Buda, um homem que atingiu a iluminação e virou guia espiritual. Como, então, a ciência pode encontrar Deus?

Apesar disso, os estudiosos sabem que há algo em comum entre essas crenças. Sem exceção, elas acreditam que há uma ordem, uma espécie de propósito (ou, se você preferir, sentido) no Universo. Nenhuma religião trabalha com o pressuposto de que o acaso e a indiferença regem as nossas vidas. Curiosamente, foi a busca por essa ordem que acabou impulsionando o avanço da própria ciência.



Da geometria ao acaso

No século 18, a maioria dos filósofos e cientistas acreditava piamente que a humanidade estava prestes a decifrar (integral e definitivamente) a ordem do Cosmos. Na época, havia motivos de sobra para tamanho otimismo: fazia mais de 100 anos que Isaac Newton publicara Princípios Matemáticos da Filosofia Natural, considerada até hoje a obra mais importante da história da física. Nela, Newton não apenas descreveu como os corpos se deslocam no espaço e no tempo, mas desenvolveu a complexa matemática necessária para analisar esses movimentos. Segundo essa teoria, as leis do Universo eram estáveis e previsíveis, como se tivessem sido projetadas por um craque da geometria. Em 1794, o escritor, poeta e artista plástico inglês William Blake resumiu essa idéia ao desenhar Deus (um velho barbudo, como o de Michelangelo) criando o mundo com um compasso na mão. "A metáfora do Deus geômetra deriva da velha idéia platônica de um Universo dualista, em que há a necessidade de existir uma ordem, mas continua influenciando a ciência até hoje", diz o brasileiro Marcelo Gleiser, autor de O Fim da Terra e do Céu e professor de física e astronomia da Faculdade de Dartmouth, nos EUA.

A imagem de Deus, nesse sentido, era perfeitamente compatível com a visão científica do mundo da época. Os problemas só surgiam quando alguém tentava juntar as mais recentes descobertas da ciência com a história bíblica da Criação. Afinal, o estudo das camadas geológicas que formaram a Terra já provava que nosso planeta tinha milhões de anos – e não 5 mil, de acordo com os cálculos de Santo Agostinho. Mas bastava esquecer "detalhes" como esse para que todos fossem dormir felizes, conscientes de que o Universo tinha sido mesmo obra do Criador. Até que...

Se havia uma ordem no Universo, nada mais natural que ela comandasse todas as forças da natureza. E o homem, é claro, era visto como o exemplo máximo da perfeição da vida sobre a Terra. Mas Charles Darwin apresentou sua teoria sobre a seleção natural das espécies e colocou em xeque a idéia de que Deus era o responsável por tudo isso que está aí. Vale lembrar que Darwin nunca disse que o homem descendia dos macacos – apenas que homens e macacos eram parentes evolutivos com um ancestral comum (os paleantropólogos estimam, hoje, que esse "tataravô" viveu em algum momento entre 4 milhões e 6 milhões de anos atrás). Ainda assim, muita gente não aceitou a idéia de que as espécies vivas, incluindo a nossa, possam ter se desenvolvido graças apenas à seleção natural, tendo evoluído quase por acaso em meio a tantas outras espécies. O fato é que o estudo da história da vida em nosso planeta comprovou que, durante milhões de anos, outras espécies reinaram por aqui sem que houvesse nenhuma necessidade da existência dos homens. Como bem resume o cientista americano Carl Sagan no seriado de televisão Cosmos, recentemente relançado em DVD pela super, se a história do Universo fosse condensada em apenas um ano, o aparecimento da espécie humana teria ocorrido nos últimos instantes do dia 31 de dezembro.

E o avanço da física deixou claro que, se o Universo fosse um relógio, nem sequer o tempo marcado por ele seria preciso. Em 1905, Albert Einstein publicou seu estudo da Teoria da Relatividade que, resumidamente, pôs fim à idéia de tempo absoluto. A estabilidade perfeita das leis de Newton começou a se despedaçar para sempre. Logo em seguida, o estudo da mecânica quântica revelou que não é possível sequer prever a posição exata de partículas subatômicas, obrigando os cientistas a se contentar em trabalhar com probabilidades. Apesar de ter ajudado a destruir a velha noção de ordem no espaço e no tempo, Einstein acreditava cegamente que a natureza funcionava (ou deveria funcionar) segundo regras bem definidas – e não de maneira aleatória, como num grande jogo de azar. Numa carta para o físico Max Born, Einstein escreveu: "Você crê em um Deus que joga dados e eu, na lei e na ordem absolutas." Se para um cientista como Albert Einstein não era fácil lidar com o acaso e o caos, imagine para os que acreditam na religião.

Do ponto de vista da física pura, porém, é importante ressaltar que todo esse papo de criação do Universo tem pouca (ou nenhuma) importância. Não fosse pela descoberta da teoria do big-bang (segundo a qual ele surgiu após uma grande explosão), nem sequer haveria a necessidade de provar que houve uma "hora zero", afinal o tempo e o espaço são mesmo relativos, não é mesmo? Curiosamente, o big-bang passou a ser considerado por muitos fiéis a "evidência científica" de que a Bíblia está certa ao descrever o "início de tudo". Talvez para tentar explicar a incompatibilidade existente entre a física das partículas subatômicas e a Teoria da Relatividade, muitos pesquisadores têm discutido atualmente a chamada Teoria das Supercordas, que propõe uma explicação unificada capaz de preencher essas lacunas. "De qualquer maneira, essa tese é mais um desejo de encontrar uma ordem do que algo validado cientificamente", diz o físico Marcelo Gleiser.

E se a ciência conseguisse achar essa tal ordem no Universo, será que isso seria a prova da existência de Deus? Ou será que a busca pelo divino não passa de uma necessidade inventada pelo homem para colocar um sentido em tudo (afinal, até onde se sabe, somos os únicos animais que tentam entender por que existe a morte)? Nas últimas décadas, o que se tem visto é um acirramento das diferenças entre aqueles que acreditam que a complexidade da vida só pode ser explicada por uma inteligência superior e aqueles que defendem que a inclinação para acreditar em Deus é apenas um traço biológico da nossa espécie, ou seja, somos programados para ter fé. É o que veremos nas próximas páginas.



Deus vai à escola

Dover, no estado americano da Pensilvânia, é uma daquelas cidades tão pequenas que mal dá para avistar seu núcleo urbano da altura média de vôo de um jato comercial. A pacata vida de seus 1814 habitantes, a maioria descendente de alemães, quase nunca foi notícia nos grandes jornais dos EUA. Tudo mudou no dia 18 de outubro deste ano, quando teve início o julgamento sobre a grade curricular de uma escola pública local que decidiu dedicar parte das aulas de biologia ao estudo de uma teoria conhecida em inglês como intelligent design (algo como projeto ou desenho inteligente, numa tradução livre para o português). Seu principal cartão de visita é o fato de se contrapor à tese de Darwin sobre a seleção natural e a evolução das espécies. Como a Constituição americana garante a total separação entre a Igreja e o Estado, alguns pais acharam que a direção do colégio estava muito perto de misturar ciência e religião, apelaram para a intervenção da Justiça e o debate pegou fogo no país.

Nas salas de aula em questão, as crianças e jovens aprendem que várias tarefas altamente especializadas e complexas do organismo humano – como a visão, o transporte celular e a coagulação, entre outras – só podem ser explicadas pela ação de uma força maior ou, em outras palavras, pela intervenção de um ser superior, capaz de bolar o tal desenho inteligente do nosso corpo e da nossa mente. Para a maioria dos biólogos do planeta, contudo, essa tal inteligência não passa de um novo nome para um velho conceito: o criacionismo bíblico, segundo o qual estamos na Terra apenas porque saímos da prancheta (ou da imaginação) divina para nos reproduzir "à Sua imagem e semelhança".

Se, como já foi dito no início do texto, há muitos cientistas que não vêem motivos para buscar as impressões digitais de Deus na história do Universo, outros tantos acreditam que as teses de Darwin têm falhas e, como tal, precisam ser ensinadas nas escolas "em toda sua amplitude", ou seja, alertando os alunos para o fato de que há controvérsias a respeito das descobertas que o jovem naturalista inglês fez a bordo do navio Beagle. Os defensores do desenho inteligente juram que não têm nenhuma ligação com os criacionistas do século 19, que difundiam uma interpretação literal do Gênese para conter a rápida e eficaz disseminação das teorias darwinistas – apesar das críticas da maior parte dos colegas da comunidade científica.

"Uma coisa é você tentar justificar uma fé usando argumentos científicos, outra é descobrir uma teoria científica que pode ser compatível com a fé", disse à Super o bioquímico Michael J. Behe, pouco depois de depor no julgamento em defesa da "nova tese". Professor da Universidade de Lehigh, na Pensilvânia, e autor do livro A Caixa-Preta de Darwin, ele diz que, se toda formulação científica compatível com uma crença religiosa tivesse de ser descartada automaticamente pelos pesquisadores, os astrônomos jamais poderiam aceitar os estudos sobre o big-bang. "Estou apenas defendendo o direito dos estudantes de terem acesso a outras idéias sobre a criação do Universo", afirmou Behe.

A discussão em torno do ensino de ciências – inclusive com a interferência do Poder Judiciário – não é nenhuma novidade nos EUA. No início dos anos 20, muitos estados americanos simplesmente proibiram os alunos de ter aulas sobre as teorias evolutivas de Darwin. Em 1925, teve início um julgamento que, num primeiro momento, levou à condenação de um professor do ensino médio do Tennessee simplesmente porque ele acreditava que somos parentes dos macacos (e dizia isso em classe). Após sucessivos recursos de ambos os lados, o processo só terminou em 1968, quando a Suprema Corte decidiu que qualquer iniciativa no sentido de definir o currículo escolar com base em crenças religiosas era inconstitucional.

É por isso que tantos vêem o desenho inteligente como uma espécie de cortina de fumaça para colocar Deus de volta nas salas de aula? Será que, do ponto de vista científico, o desenho inteligente tem consistência? "Por enquanto, não", afirma Vera Volferini, professora de genética e evolução da Unicamp. Segundo a bióloga, não existem ainda argumentos científicos que sejam tranqüilamente aceitos pela maioria dos pesquisadores. "Teorias como essa presumem que o ser humano é o resultado de um projeto perfeito, o que não é verdade. É consenso entre os especialistas que o design humano, apesar de eficiente, está longe de ser inatacável biologicamente. A próstata do homem, para ficar em apenas um exemplo, não segue um desenho anatômico ideal", diz ela. E é justamente essa falha na concepção que provoca muitos problemas que afetam boa parte dos machos da espécie. Além disso, por que não poderíamos ter mais de 5 dedos em cada mão? Vera explica que, ao menos do ponto de vista biológico, temos esse número de dedos não porque seria um problema ter um ou dois a mais, mas porque fazemos parte de uma espécie cujo ancestral, há milhões de anos, tinha (por acaso) 5 dedos.

No Brasil, a teoria criacionista já desembarcou também – nos colégios públicos do Rio de Janeiro e, por enquanto apenas nas aulas de religião (em 2002, um lei proposta pelo governador Anthony Garotinho incluiu a disciplina "religião confessional" no currículo escolar). A presbiteriana Rosinha Matheus (mulher de Garotinho), na época governadora, afirmou ao jornal O Globo que não acredita nas teses darwinianas. Apesar de o assunto não ser tratado nas aulas de biologia por aqui, o tema vem preocupando entidades como a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), que já se manifestou contra a disseminação do criacionismo nas escolas fluminenses. "O problema não é ter ou não uma crença pessoal", diz Marcelo Menossi, professor de genética molecular da Unicamp. "O problema é tentar justificar e espalhar essa crença usando falsos argumentos científicos."



Genética da religião

Nos anos 60, a britânica Jane Goodall afirmou que algumas espécies podem ter a religiosidade gravada nos próprios genes. A pesquisadora ficou famosa ao estudar o comportamento de chimpanzés na Tanzânia. Numa de suas numerosas observações, descobriu que os macacos agiam de maneira nada usual diante de uma cachoeira, demonstrando o que ela batizou de senso místico e de reverência. "Alguns permaneciam sentados numa rocha em frente à queda d’água, como se estivessem encantados. Outros ficavam sob a queda d’água por mais de 50 minutos, quando normalmente nem gostavam de se molhar." Goodall concluiu que esse comportamento é um traço de religiosidade primitiva. E nós? Será que também nós humanos fomos "programados" para acreditar em Deus?

Para o biólogo Edward O. Wilson, um dos pioneiros da sociobiologia (ciência que se dedica a compreender o comportamento humano por meio da biologia), a predisposição para a religião é mesmo resultado da evolução genética do cérebro. Segundo ele, nossa inclinação para acreditar num ser superior pode ser resultado da submissão animal. Ele conta que entre macacos rhesus o macho dominante caminha com a cauda e a cabeça erguidas, enquanto os dominados mantêm a cabeça e a cauda baixas, em sinal de respeito ao líder – em troca, eles têm proteção contra os inimigos e acesso a abrigo e alimento. Segundo Wilson, a tendência de se submeter a um ser superior é herança dessas ações. "O dilema humano é que evoluímos geneticamente para acreditar em Deus, não para acreditar na biologia."

Essa seria uma das razões pelas quais Deus é sempre invocado quando precisamos lidar com temas etéreos (e muitas vezes polêmicos, como a bondade, a solidariedade etc.). "Afinal, se Deus for apenas uma constante física, é óbvio que ele não terá nada a dizer sobre ética, certo e errado ou qualquer outra questão moral", diz o britânico Richard Dawkins.

O radiologista Andrew Newberg e o psiquiatra Eugene D’Aquili (que morreu há 9 anos) resolveram buscar diretamente no cérebro a origem da experiência religiosa. Utilizando aparelhos de tomografia, eles revelaram as áreas mais ativadas pela meditação em 8 budistas e em um grupo de freiras franciscanas. A pesquisa, cujos resultados foram publicados no livro Why God Won’t Go Away ("Por que Deus não Vai Embora", sem tradução no Brasil), mostrou que durante as orações havia uma diminuição da atividade no lobo parietal superior, a área do cérebro responsável pela nossa orientação de tempo e espaço, pela sensação de separação entre o corpo e o indivíduo e pela delimitação entre o "eu" e os "outros". Ou seja, ao meditar criamos um bloqueio que provoca a sensação de unicidade típica do êxtase religioso.

Além disso, várias outras pesquisas comprovam que ter fé, independentemente de acreditar em um ou mais deuses, faz bem para o corpo e a mente, pois melhora as condições de saúde e aumenta a sensação de felicidade. A ciência ainda não conseguiu explicar se Deus criou o nosso cérebro com essa habilidade ou se foi a evolução que fez o cérebro criar esse portal para Deus. Mas nesta nova era de espiritualidade talvez isso não seja tão importante assim. O que conforta muita gente é acreditar que é possível melhorar o mundo pela fé.


"A relação do homem com o sagrado tem se mostrado um traço persistente."

Oswaldo Giacoia Júnior, professor de história da filosofia moderna e contemporânea da Unicamp.

"A metáfora do deus geômetra deriva da velha idéia platônica de um universo dualista, em que há a necessidade de existir uma ordem superior, mas continua influenciando a ciência até hoje."

Marcelo Gleiser, professor de física e astronomia da Faculdade de Dartmouth, nos EUA.


"Uma coisa é você tentar justificar uma fé usando argumentos científicos, outra é você descobrir uma teoria científica que pode ser compatível com a fé."

Michael J. Behe, bioquímico e um dos principais defensores da tese do "desenho inteligente".


"Se Deus for só uma constante física, é óbvio que ele não terá nada a dizer sobre o que é certo ou errado em questões morais."

Richard Dawkins, zoólogo e professor da Universidade de Oxford, na Inglaterra.

Para muitos pesquisadores, o que distingue a ciência de outras visões de mundo é exatamente sua recusa em aceitar cegamente qualquer informação e sua determinação de submeter qualquer tese a testes constantes até que novos dados possam confirmá-la ou refutá-la. Essa visão baseia-se, entre outras coisas, na obra do filósofo vienense Karl Popper, que morreu em 1994. Segundo Popper, a ciência só pode tratar de temas que resistam ao que ele chamou de "critério de falseabilidade". Resumidamente, o papel do verdadeiro cientista é buscar, com persistência, erros em sua teoria – em vez de tentar achar dados que provem sua correção. Quanto mais genérica e exposta a falhas (ou seja, quanto mais "falseável"), menos provável ela é. Por outro lado, quanto mais resistente (menos falseável), maiores as chances de acerto, pelo menos até o próximo teste. É por isso que um grande número de estudiosos argumenta que não é papel da ciência provar a existência de Deus. "Não faz sentido alguém afirmar que, ao descobrir um mistério do Universo, está ajudando a decifrar a mente divina", diz o zoólogo britânco Richard Dawkins. Apesar disso, ele reconhece que é fascinante encantar-se diante dos mistérios da natureza – e das limitações científicas para explicá-los. Esse sentimento foi batizado pelo físico brasileiro Marcelo Gleiser de "misticismo racional". Em outras palavras, é uma espécie de declaração de amor pelos fenômenos naturais, que se concretiza por meio da pesquisa científica. Segundo ele, há um paradoxo por trás da incansável busca por uma ordem e um sentido no Cosmos. "Como o homem é o único ser capaz de amar, tem uma imensa dificuldade em aceitar que o Universo pode ser totalmente indiferente a ele", afirma.

"Se Deus não existe, tudo é permitido." A frase, que ficou célebre no livro Os Irmãos Karamazov, do russo Fiodor Dostoievski, resume uma das questões mais cruciais do mundo moderno: sem uma referência divina, passaríamos a viver numa espécie de vale-tudo moral? "Não necessariamente", diz o filósofo Oswaldo Giacoia Júnior, da Unicamp. "A busca de um código de valores sempre foi uma preocupação central da filosofia, sem necessidade de uma legitimação divina." No século 18, por exemplo, os ideais de igualdade e justiça social, aceitos hoje como uma preocupação ética, surgiram de formulações dos filósofos iluministas – que acreditavam ser possível defendê-los com base na razão, não na religião (na época, esse tema não era nada popular no Vaticano). Em meados do século 20, o francês Jean Paul Sartre, o pai do existencialismo – segundo o qual de nada adianta buscar um propósito da existência para além da vida humana –, disse que a nossa própria condição de seres que vivem em sociedade é suficiente para justificar a prática de valores solidários. E ainda hoje filósofos como o vienense Peter Singer (um dos mais ferrenhos defensores dos direitos dos animais) continuam defendendo uma série de condutas éticas baseadas na razão, não na fé. Mas será que a adoção pura e simples de uma ética sem Deus não pode nos levar a um racionalismo frio, capaz de ofuscar valores menos palpáveis, como a bondade? "A fé não se traduziu apenas em atos de paz e harmonia ao longo dos tempos", lembra Giacoia. "Dos grandes conflitos religiosos do passado ao moderno terrorismo fundamentalista, já foram cometidas inúmeras atrocidades em nome da ética religiosa em todo o mundo."


Deus, uma Biografia - Jack Miles, Companhia das Letras, 2002

Desvendando o Arco-Íris - Richard Dawkins, Companhia das Letras, 2000

Consiliência - Edward O. Wilson, Editora Campus, 1999

O Romance da Ciência - Carl Sagan, Francisco Alves, 1982

Why God Won´t Go Away - Andrew Newberg e Eugene D'Aquili, Ballantine Books, 2002

A Caixa-Preta de Darwin - Michael Behe, Jorge Zahar Editor, 1997

Fonte: Procura-se um Deus - Super Abril

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Renoir - Arte Impressionista de Imagens Belas e Agradáveis

Pierre-Auguste Renoir, 25 de fevereiro de 1841, Limoges, França. Renoir foi um artista impressionista cuja as pinturas retratam uma atmosfera agradável de elegância e sensualismo delicado de extrema beleza, vivacidade e alegria.
Renoir é um dos pintores mais importantes do movimento impressionista e um dos mais celebres pintores franceses. Amigo de Alfred Sisley, Renoir, além de impressionista, procurou sempre buscar novas inspirações em grandes nomes do Renascentismo, como Rafael, Ticiano, e na escola barroca de estilo Rococó de Fragonard e Boucher, mas em suas primeiras obras nota-se a influência de Colbert, um pintor Francês pertencente a escola realista.

Autorretrato - 1910, Renoir



No período impressionista, Renoir executa obras que retratam a vida social e urbana, e também várias paísagens. As obras famosas desse período são:

- "Mulheres parisienses vestidas como Argelinas"
- "O Camarote"
- "O Passeio"
- "Nu ao Sol"
- "O Balanço" e

"Le moulin de la Galette" - 1876



O período chamado Ingresco, foi uma fase em que Renoir passa a viajar em busca de novas inspirações. Conhece a Argélia e depois a Itália, deslumbrado com as obras de Rafael, Renoir adquire estilo renascentista e em suas obras passou a abordar temas da mitologia clássica. A obra mais importante desse período chamado 'Ingres', foi "As grandes Banhistas".

'As Grandes Banhistas' - 1887



No período chamado Iridescente, Renoir muda novamente de estilo, uma fase vista como uma recuperação da liberdade da juventude, pinta muitos nus e retratos.
Obras importantes do período Iridescente são:

- "Duas Meninas colhendo Flores"
- "No Prado"
- "A Grande Ilusão"
- "A Regra do Jogo"
- "Mulher Amamentando"



- "Ao Piano"
- "O Julgamento de Paris"


Renoir sofria de artrite, uma doença que lhe causou muito sofrimento e limitações quanto a realização de seus trabalhos. Sem poder segurar o pincel, Renoir passou a amarrá-lo a mão. Com o tempo teve que contratar ajudantes para realizar, sob sua orientação, os seus trabalhos. Mas mesmo limitado pela doença, trabalhou até os últimos dias de sua vida. Renoir morreu em 1919 aos 78 anos, em Cagnes, e no mesmo ano de sua morte sentiu orgulho por ter suas obras reconhecidas e expostas no Museu do Louvre.


Quadros de Renoir

'Rosa e Azul'ou "As Meninas Cahen d'Anvers' - 1881



Rosa e Azul é um retrato das filhas do banqueiro Louis Raphael Cahen d'Anvers. Elizabeth (Azul) e Alice(Rosa), o quadro não agradou a família e ficou esquecido até que no início do séc. XX os marchands encontraram a obra. Hoje, 'Rosa e Azul" é um dos trabalhos mais importante e de
Renoir.

'Dance at Bougival' - 'A Dança em Bougival' - 1883



O Almoço dos Remadores - 1881



La Liseuse - 1874



La Grenouillere - 1869



Frases de Renoir

"A dor passa, mas a beleza permanece."

"Porque a Pintura não pode ser Bela? O Mundo já tem coisas desagradáveis demais."

"Não dou um nu por terminado até que tenha a sensação de que possa beliscá-lo."


Apesar das críticas que recebeu quando começou a pintar, Renoir era um artista que não tinha vergonha de celebrar a beleza.

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Renoir, Feitas para agradar - Veja abril
Obras de Renoir