sábado, 10 de janeiro de 2009

Iemanjá - Lenda, Mito e Sincretismo Religioso

Iemanjá (yemanjá), a Rainha do Mar, mãe de quase todos os orixás, é exaltada por negros e brancos. Iemanjá, possui vários nomes: sereia do mar, princesa do mar, rainha do mar, Inaé, Mucunã, Dandalunda, Janaína, Marabô, Princesa de Aiocá, Sereia, Maria, Dona Iemanjá; dependendo de cada região, mas sua origem vem da África. "A Iemanjá brasileira é resultado da miscigenação de elementos europeus, ameríndios e africanos".



"Afrodite brasileira", Iemanjá é a padroeira dos amores e muito solicitada em casos de desafetos, paixões conflituosas, desejos de vinganças, tudo pode ser conseguido caso ela consinta. Iemanjá exerce fascínio nos homens, sua beleza é o esteriótipo da beleza feminina: Longos cabelos negros, feições delicadas, corpo escultural e muito vaidosa.



Têm poderes sobre todos aqueles que entram em seu domínio, o mar. Venerada e respeitada por pescadores e todos aqueles que vivem no mar, pois a vida dessas pessoas estão em suas mãos, segunda a lenda é ela quem decide o destino das pessoas que adentram seu império: enseadas, golfos e baías. Dona de poderes, a tranquilidade do mar ou as tempestades estão sob o seu domínio.



No sincretismo religioso, Iemanja tem identidade correspondente a outros santos, como na igreja católica é Nossa Senhora de Candeias, Nossa Senhora dos Navegantes, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora da Piedade e a Virgem Maria.
Em cada lugar do Brasil Iemanjá é festejada, mas as datas diferem de um lugar para outro. No Rio de Janeiro seu culto é festejado no dia 31 de Dezembro, junto a passagem de ano, ondes os devotos oferecem oferendas: Velas, espelhos, pentes, flores, sabonetes e perfumes... na esperança de que ela leve todas as tristezas, problemas e aflições para o fundo do mar e traga dias melhores. Na Bahia sua data é comemorada no dia de Nossa Senhora das Candeias, 2 de fevereiro. Venerada nos Candomblés da Bahia, recebe muitas homenagens e oferendas.





Iemanjá também é conhecida como deusa lunar, rege os ciclos da natureza que estão ligados a água e caracteriza a "Mudança", na qual toda mulher é submetida devido a influência dos ciclos da lua.



Mãe de quase todos os órixas, é a deusa da compaixão, do perdão e do amor incondicional.



Casada com Oxalá, Iemanjá é o arquétipo da maternidade. Outras vezes Iemanjá continua bela, mas pode apresentar-se como a Iara, metade mulher, metade peixe, as sereias dos candomblés do caboclo.



Nota: Em Cuba, Yemayá também possui as cores azul e branca, é uma rainha do mar negra, assume o nome cristão de La Virgen de la Regla e faz parte da Santeria como santa padroeira dos portos de Havana.

MITOLOGIA

LENDA (Arthur Ramos)

Com o casamento de Obatalá, o Céu, com Odudua, a Terra, que se iniciam as peripécias dos deuses africanos. Dessa união nasceram Aganju, a Terra, e Iemanjá (yeye ma ajá = mãe cujos filhos são peixes), a Água. Como em outras antigas mitologias, a terra e a água se unem. Iemanjá desposa o seu irmão Aganju e tem um filho, Orungã.

Orungã, o Édipo africano, representante de um motivo universal, apaixona-se por sua mãe, que procura fugir de seus ímpetos arrebatados. Mas Orungã não pode renunciar àquela paixão insopitável. Aproveita-se, certo dia, da ausência de Aganju, o pai, e decide-se a violentar Iemanjá. Essa foge e põe-se a correr, perseguida por Orungã. Ia esse quase alcançá-la quando Iemanjá cai no chão, de costas e morre. Imediatamente seu corpo começa a dilatar-se. Dos enormes seios brotaram duas correntes de água que se reúnem mais adiante até formar um grande lago. E do ventre desmesurado, que se rompe, nascem os seguintes deuses: Dadá, deus dos vegetais; Xango, deus do trovão; Ogum, deus do ferro e da guerra; Olokum, deus do mar; Oloxá, deusa dos lagos; Oiá, deusa do rio Niger; Oxum, deusa do rio Oxum; Obá, deusa do rio Obá; Orixá Okô, deusa da agricultura; Oxóssi, deus dos caçadores; Oké, deus dos montes; Ajê Xaluga, deus da riqueza; Xapanã (Shankpannã), deus da varíola; Orum, o Sol; Oxu, a Lua.

Os orixás que sobreviveram no Brasil foram: Obatalá (Oxalá), Iemanjá (por extensão, outras deusas-mães) e Xango (por extensão, os outros orixás fálicos).

Com Iemanjá, vieram mais dois orixás yorubanos, Oxum e Anamburucu (Nanamburucu). Em nosso país houve uma forte confluência mítica: com as Deusas-Mães, sereias do paganismo supérstite europeu, as Nossas Senhoras católicas, as iaras ameríndias.

A Lenda tem um simbolismo muito significativo, contando-nos que da reunião de Obatalá e Odudua (fundaram o Aiê, o "mundo em forma"), surgiu uma poderosa energia, ligada desde o princípio ao elemento líquido. Esse Poder ficou conhecido pelo nome de Iemanjá.

Durante os milhões de anos que se seguiram, antigas e novas divindades foram unindo-se à famosa Orixá das águas, como foi o caso de Omolu, que era filho de Nanã, mas foi criado por Iemanjá.

Antes disso, Iemanjá dedicava-se à criação de peixes e ornamentos aquáticos, vivendo em um rio que levava seu nome e banhava as terras da nação de Egbá.

Quando convocada pelos soberanos, Iemanjá foi até o rio Ogun e de lá partiu para o centro de Aiê para receber seu emblema de autoridade: o abebé (leque prateado em forma de peixe com o cabo a partir da cauda), uma insígnia real que lhe conferiu amplo poder de atuar sobre todos os rios, mares, e oceanos e também dos leitos onde as massas de águas se assentam e se acomodam.

Obatalá e Odudua, seus pais, estavam presentes no cerimonial e orgulhosos pela força e vigor da filha, ofereceram para a nova Majestade das Águas, uma jóia de significativo valor: a Lua, um corpo celeste de existência solitária que buscava companhia. Agradecida aos pais, Iemanjá nunca mais retirou de seu dedo mínimo o mágico e resplandecente adorno de quatro faces. A Lua, por sua vez, adorou a companhia real, mas continuou seu caminho, ora crescente, ora minguante..., mas sempre cheia de amor para ofertar.

A bondosa mãe Iemanjá, adorava dar presentes e ofereceu para Oiá o rio Níger com sua embocadura de nove vertentes; para Oxum, dona das minas de ouro, deu o rio Oxum; para Ogum o direito de fazer encantamentos em todas as praias, rios e lagos, apelidando-o de Ogum-Beira-mar, Ogum-Sete-ondas entre outros.

Muitos foram os lagos e rios presenteados pela mãe Iemanjá a seus filhos, mas quanto mais ofertava, mais recebia de volta. Aqui se subtrai o ensinamento de que "é dando que se recebe". Fonte: Deusa Iemanjá


Iemanjá Rainha do Mar

Cantada por Maria Bethânia
Composição: Pedro Amorim e Paulo César Pinheiro



Quanto nome tem a Rainha do Mar?
Quanto nome tem a Rainha do Mar?

Dandalunda, Janaína,
Marabô, Princesa de Aiocá,
Inaê, Sereia, Mucunã,
Maria, Dona Iemanjá.

Onde ela vive?
Onde ela mora?

Nas águas,
Na loca de pedra,

O que ela gosta?
O que ela adora?

Perfume,
Flor, espelho e pente
Toda sorte de presente
Pra ela se enfeitar.

Como se saúda a Rainha do Mar?
Como se saúda a Rainha do Mar?

Alodê, Odofiaba,
Minha-mãe, Mãe-d'água,
Odoyá!

Qual é seu dia,
Nossa Senhora?

É dia dois de fevereiro
Quando na beira da praia
Eu vou me abençoar.

O que ela canta?
Por que ela chora?

Só canta cantiga bonita
Chora quando fica aflita
Se você chorar.

Quem é que já viu a Rainha do Mar?
Quem é que já viu a Rainha do Mar?

Pescador e marinheiro
que escuta a sereia cantar
é com o povo que é praiero
que dona Iemanjá quer se casar.

Meu respeito e admiração pela cultura e a crença.



Saudação à Iemanjá, a Rainha do Mar: Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba! Odô-fe-iaba!

Yemanjá

Mitologia Africana

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro

O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro (MAM), foi criado em 1948 e seguiu os mesmos moldes do Museum Of Modern Art de Nova York (1929). Um marco na arquitetura brasileira, projetado pelo arquiteto Affonso Eduardo Reidy e do projeto paisagístico de Roberto Burle Marx. Um espaço que conta com cinemateca, biblioteca, restaurante, café, livraria e área para Shows.



O MAM Carioca, sedia grandes exposições nacionais e internacionais, com um acervo de onze mil obras, reúne esculturas e pinturas de artistas grandes pintores do modenismo: Anita Malfatti, Tarsila do Amaral, Lasar Segall, Portinari, Di Cavalcante, Lygia Clark, Hélio Oíticica e Franz Weissmann e a coleção de Gilberto Chateaubriand.



Em 1978 um incêndio, causado por uma ponta de cigarro, ou por uma falha elétrica, destruiu quase todo acervo do MAM. Obras de, Miró, Savador Dali, Max Ernst,René Magritte, Ivan Serpa, Manabu Mabe entre outras foram perdidas. Solidários com a tragédia ocorrida, artistas e colecionadores de todo o mundo, enviaram obras para ajudar na reconstrução de uma nova coleção.



Duas empresas colaboraram na reconstrução do acervo do MAM, que voltou a funcionar em 1993: A White Martins e a Petrobras.
O Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro é parte integrante do Aterro do Flamengo, próximo ao Aeroporto Santos Dumont.





quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Economia Criativa - Estratégia de Desenvolvimento

O conceito de economia criativa envolve temas como o simbólico, a produção singular e a criatividade. Embora venha sendo amplamente discutido, defini-lo é um processo contínuo, pois depende de contextos culturais, econômicos e sociais diferentes.


A publicação online Economia Criativa como Estratégia de Desenvolvimento: Uma Visão dos Países em Desenvolvimento aborda a questão em diversos países. Em três idiomas (português, inglês e espanhol) está disponível para leitura online ou para impressão em PDF, no site ItaúCultural


Imagem: Liane Iwahashi/Itaú Cultural

Burle Marx - Artes de um Paisagista Iluminado

Roberto Burle Marx foi um dos maiores paisagistas do nosso século, reconhecido internacionalmente. Nasceu em São Paulo, 4 de agosto de 1909, ainda menino foi morar no Rio de janeiro e mais tarde foi para Alemanha para estudar pintura. Estudou na Escola de Belas Artes do Rio de Janeiro - EBA.UFRJ, incentivado por Lucio Costa. Foi aluno do pintor Cândido Portinari e do escritor Mário de Andrade e conviveu com o próprio Lucio, com Oscar Niemeyer, Milton Roberto, Lota de Macedo Soares, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Ernesto Vasconcellos, Roberta Leite e outros tantos artistas seguidores da corrente francesa liderada por Le Corbusier.



Burle Marx era também desenhista, pintor, tapeceiro, ceramista, escultor, pesquisador, cantor e criador de jóias, um homem de muita sensibilidade, um iluminado pela arte. Seu primeiro trabalho paisagístico foi para a arquitetura de Lúcio costa eGregori Warchavchik, em 1932.
Roberto Burle Marx , apaixonado pela flora brasileira, era dono de um sítio em Barra de Guaratiba, Rio de Janeiro, onde tinha uma grande coleção de plantas. Em 1985 Doou esse sitio, com todo o seu acervo à Fundação Nacional Pró Memória, hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - IPHAN. Na empresa BURLE MARX CIA LTDA, fundada em 1955, elaborou vários projetos de paisagismo, jardins residenciais e públicos.






Principais Projetos Paisagísticos de Burle Marx

- Parque Ecológico de Recife

- Cidade Universitária do Rio de Janeiro, (Fundão)



- Jardim do Aeroporto da Pampulha, BH

- Projeto paisagismo do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro - MAM-RJ

- Projeto paisagista do Eixo Monumental de Brasilia

- Paisagismo do Aterro do Flamengo - RJ



Roberto Burle Marx projetou mais de 2.000 jardins ao longo de sua vida, morreu no dia 4 de junho de 1994, no Rio de Janeiro, aos 84 anos.

Biografia e Cronologia Burle Marx - wikipédia
Slidshare Burle Marx

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Rarindra Prakarsa - Poesia Visual, Fotografia da Indonésia

Rarindra Prakarsa é um fotógrafo Indonésio que nasceu em Jacarta. Um poeta da fotografia, que através de imagens tecnicamente captadas e dimensionadas proporciona a suas fotos, a sensação de profundidade.
Rarindra Prakarsa não se considera um fotógrafo profissional, e diz que a Indonésia, país localizado entre o sudeste asiático e a Austrália, é o melhor lugar do planeta para se fotografar, pois a Indonésia é o maior arquipélago do mundo, possue 10 109 ilhas de cenários deslumbrantes.
Fotógrafo desde 1995, suas fotos na maioria das vezes retratam o dia-a-dia da população da Indonésia.


Prakarsa desenvolveu uma técnica que dá a imagem contraste e luminosidade e ao mesmo tempo obscurece certos detalhes, manipulando artísticamente as fotos e tornando-as muito mais belas.
Aprecie algumas de suas fotos





Veja mais em Photo Slave Rarindra Prakarsa 's Photography

Vídeo "Poesia Visual" de Rarindra Prakarsa



História da Fotografia
Dicas para uma boa fotografia

Fotos de Rarindra Prakarsa - Google Imagem

domingo, 4 de janeiro de 2009

LHC - a máquina do fim do mundo e o big-bang

O LHC é a máquina responsável pela polêmica do fim do mundo, que tem como objetivo recriar o big-bang.
Em pleno século XXI, a ciência vive a expectativa de desvendar, segundo sua ótica a criação do mundo. A simulação de um big-bang, se bem sucedida, dará a humanidade uma nova visão da vida. Em julho desse ano (2009) a CERN dará continuídade ao experimento do LHC.
Foi uma decepção para muitos a falha ocorrida na conexão entre dois ímãs. Isso provocou um vazamento de hélio de uma tonelada e adiou para meados desse ano a retomada aos trabalhos, mas o incidente tranquiliza no que diz respeito ao sistema de segurança que funcionou ao primeiro problema apresentado.
2009 será um ano de muita badalação em torno da retomada das experiência do LHC (acelerador de particulas), também conhecida como "máquina do fim do mundo", "máquina de brincar de deus" ou "máquina do big-bang".
Físicos do mundo inteiro, comunidades científicas, jornalistas e curiosos, estão todos atentos as notícias vindas da CERN, sobre o (Large Hadron Collider), a maior máquina construída no planeta. O LHC, levou 14 anos para ser construída e teve um custo de 8 bilhões de dólares.
O acelerador LHC, é um tubo de 27 quilômetros de extensão, por onde as partículas subatômicas serão aceleradas a uma velocidade que se aproximará da velocidade da luz e irão colidir com os hándrons que se partirá em minúsculas partículas de matéria e energia. A partícula que mais interessa aos cientistas, são as chamadas Higgs-bóson, que são as partículas que deram ao universo aquilo que mais interessa, a matéria.
Os Higgs-Bóson, foi a partícula mensageira que carregou a energia de um campo que também tem o nome de Higgs. Encontrar a assinatura do bóson de Higgs nas placas detectoras do LHC em Genebra provaria a teoria amplamente aceita no mundo científico, a teoria do big-bang.
O grande desafio para os físicos do CERN, está em recriar no LHC, os higgs-bósons, partículas que jamais foram vistas, sem elas a ciência não poderá confirmar ao mundo a teoria do big-bang.

Experiência subterrânea tentará reproduzir Big-bang em miniatura


"Os técnicos tentarão primeiro injetar um raio em uma direção do colisor hermeticamente fechado e localizado cerca de 100 metros abaixo do solo.
Uma vez feito isso, se tudo ocorrer bem, os técnicos projetarão um raio, também a uma velocidade um pouco menor que a da luz, na direção contrária.
E então, depois de algumas semanas, os cientistas injetarão os raios nas duas direções e farão com que as partículas colidam entre si , inicialmente, com uma baixa intensidade. Mais tarde, avançarão para produzir diminutas colisões capazes de recriar o calor e a energia do "Big-bang", uma teoria sobre a origem do universo aceita pelos cientistas. O que ocorrer depois desses eventos é que, em seu ápice, poderiam acontecer cerca de 600 milhões de vezes por segundo e será registrado por detetores ultra-sofisticados colocados no LHC em quatro pontos de colisão." (Foto e Matéria - Reuters Brasil)

Para entender mais sobre esse assunto tão polêmico, deixo uma entrevista com Andy Parker, um físico experimental.


Andy Parker é um físico experimental. Isso significa que se dedica a comprovar por meio de experiências aquilo que os teóricos explicam apenas por meio de equações e raciocínios. Quando ele começou a trabalhar na construção do detector Atlas, do LHC, o enorme equipamento era apenas uma idéia num pedaço de papel. Parker falou a VEJA em seu escritório no Laboratório Cavendish, na Universidade de Cambridge, Inglaterra.


-Como o senhor define seu trabalho?

-Eu vou da teoria à prática. Meu trabalho é realizar as melhores experiências para testar as novas teorias que tentem explicar como o mundo funciona. Algumas vezes isso significa fazer descobertas, o que é muito empolgante. Na maior parte do tempo, os físicos experimentais provam que as teorias estão erradas.


-Vai ser fácil encontrar o bóson de Higgs no LHC?

-Higgs é a única partícula do Modelo-Padrão que não encontramos até agora, e não foi por falta de tentativa. Não sabemos exatamente quanto pesa, então precisamos procurá-la em toda parte. É como tentar achar algo no escuro. Num cenário favorável, nós encontraremos Higgs em um ano. Se a partícula for leve, a busca será mais difícil e poderá levar três anos ou mais.


-O que acontecerá se a partícula de Higgs não aparecer?

-Todo o nosso modelo de física de partículas se baseia no Higgs. Sem ele, seria difícil justificar nossas teorias. Então precisaremos encontrar algo novo para pôr em seu lugar. Para mim, seria muito mais interessante tentar encontrar esse algo novo do que uma coisa já esperada.

-Qual seria a maior descoberta do LHC?

-Encontrar outras dimensões do espaço. Seria tão excitante quanto descobrir uma "quinta dimensão", como aquela dos filmes de ficção científica. Há muitas teorias prevendo a existência de outras dimensões. Elas são a chave para a criação de uma teoria unificada da física que junte as quatro forças fundamentais da natureza.

-O senhor passou quase trinta anos trabalhando no projeto do Atlas. O que o manteve motivado?

-O desafio diário de projetar e construir o melhor detector de partículas possível, e também a possibilidade de revelar o que a natureza manteve escondido de nós.


-O que há de tão excitante em provocar a colisão de partículas?

-É uma maneira de ver o desconhecido ao recriar as condições que existiram logo depois do big-bang. Com um acelerador, nós podemos explorar os menores tijolos da matéria. E, claro, os aceleradores de partículas são uns "brinquedinhos" bem interessantes.
Estamos nos aproximando do ponto em que não haverá mais nada para ser descoberto? Não creio nisso.Toda vez que subimos na escala de energia dos aceleradores, encontramos novas coisas. A natureza sempre dá um jeito de nos surpreender e a ciência vai continuar fazendo novas perguntas, porque o homem é uma espécie curiosa. (Foto e Entrevista - veja)

sábado, 3 de janeiro de 2009

Biografia de Manuel Bandeira, Homenageado da FLIP 2009

Manuel Bandeira é o homenageado da VII edição da Festa Literária Internacional de Paraty (FLIP), que acontecerá entre o dia 1º e 5 de julho de 2009. Flávio Moura, diretor de programação da FLIP, diz que Bandeira é uma referência e destaque na tradição literária brasileira, que sua obra poética precisa ser revalorizada e divulgada, pois boa parte da vasta produção em prosa de Manuel Bandeira permanece a sombra.

Biografia - Manuel Bandeira
(1886/1968)


Manuel Carneiro de Sousa Bandeira Filho, nasceu em Recife, 19 de abril de 1886.
Depois de morar no Rio, em Santos e em São Paulo, a família regressou ao Recife, onde permaneceu por mais algum tempo. A nova mudança para o Rio levou o menino a ser matriculado no colégio Pedro II. Com 17 anos, Manuel Bandeira foi para São Paulo, a fim de ingressar na Escola Politécnica, mas já no ano seguinte (1904) ficou tuberculoso. Abandonou os estudos, passando temporadas em várias outras cidades, de clima mais propício ao seu estado de saúde. Em 1913 partiu para a Suíça em busca de tratamento. Regressou no ano seguinte, pois estava começando a Primeira Guerra Mundial. Foi poeta, crítico literário e de arte, professor de literatura e tradutor.

Em 1917 publicou seu primeiro livro, A Cinza das Horas, que traz poemas parnasiano-simbolistas. Fez parte da geração de 22 da literatura moderna brasileira. Seu poema 'Os Sapos' foi lido na abertura da Semana de Arte Moderna de 1922, por Ronald de Carvalho, provocou reações radicais na segunda noite do acontecimento. Mário de Andrade chamava-o de "O São João Batista do Modernismo".

Bandeira faz parte da elite literária pernambucana juntamente como os escritores, João Cabral de Melo Neto, Paulo Freire, Gilberto Freire e José Condé.
Bandeira foi um dos poetas nacionais mais admirados e que provoca inspiração em novos escritores e até mesmo em compositores devido seu estilo sóbrio de escrever. Sua obra Aborda temáticas cotidianas e universais, às vezes com uma abordagem de "poema-piada", lidando com formas e inspiração que a tradição acadêmica considera vulgares. Mesmo assim, conhecedor da Literatura, utilizou-se, em temas cotidianos, de formas colhidas nas tradições clássicas e medievais. Em sua obra de estréia (e de curtíssima tiragem) estão composições poéticas rígidas, sonetos em rimas ricas e métrica perfeita, na mesma linha onde, em seus textos posteriores, encontramos composições como o rondó e trovas.
As origens de Manuel Bandeira estão na poesia parnasiana, onde uma certa melancolia, associada a um sentimento de angústia, permeia sua obra, em que procura uma forma de sentir a alegria de viver.

Bandeira sofria de tuberculose, doença que lhe deixava angustiado com o risco da morte, essa angustia é uma marca em sua obra. Um drama que conjuga sua história pessoal e o conflito estilístico vivido pelos poetas de sua época.

Davi Arrigucci Jr., o melhor crítico da obra de Manuel Bandeira, esclarece: "A poesia de Bandeira tem início no momento em que sua vida, mal saída da adolescência, se quebra pela manifestação da tuberculose, doença então fatal. O rapaz só fazia versos por divertimento ou brincadeira, de repente, diante do ócio obrigatório, do sentimento de vazio e tédio, começa a faze-los por necessidade, por fatalidade; em resposta à circunstância terrível e inevitável". Na verdade, a perspectiva da morte foi uma constante em sua poesia e motivou um de seus conhecidos poemas:

Consoada

Quando a Indesejada das gentes chegar
(Não sei se dura ou caroável),
Talvez eu tenha medo.
Talvez sorria, ou diga:
- Alô, iniludível!
O meu dia foi bom, pode a noite descer.
(A noite com seus sortilégios.)
Encontrará lavrado o campo, a casa limpa,
A mesa posta,
Com cada coisa em seu lugar.


-A cinza das horas, 1917 - primeiro livro do poeta, traz poemas parnasiano-simbolistas.

-Carnaval, 1919 - marca o início da libertação das formas fixas e a opção pela liberdade formal, que se tornaria uma das marcas registradas de sua poesia. Bandeira é considerado o mais hábil poeta brasileiro no manejo do verso livre. Nesse livro está o poema "Os Sapos", verdadeiro manifesto de um poeta inconformado e rebelde diante das limitações da estética parnasiana. A partir de Carnaval, toda a obra poética de Bandeira constrói-se em torno de uma progressiva liberdade de expressão. O ritmo dissoluto, cujo título já indica tratar-se de um livro integrado ao espírito modernista, mostra a opção definitiva de Bandeira pelo corriqueiro, pelo cotidiano, como matéria poética.

-Libertinagem, 1930 - Libertinagem apresenta alguns poemas fundamentais para se entender a poesia de Bandeira: "Vou-me embora pra Pasárgada", "Poética", "Evocação do Recife", entre eles. No mesmo livro começam a aparecer assuntos que se tornariam freqüentes. Entre eles, o amor, a lembrança de vultos familiares e da infância, o folclore.

VOU-ME EMBORA PRA PASÁRGADA

Vou-me embora pra Pasárgada

Lá sou amigo do rei

Lá tenho a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada

Vou-me embora pra Pasárgada

Aqui não sou feliz

Lá a existência é uma aventura

De tal modo inconseqüente

Que Joana a Louca de Espanha

Rainha e falsa demente

Vem a ser contraparente

Da nora que eu nunca tive

E como farei ginástica

Andarei de bicicleta

Montarei em burro brabo

Subirei no pau-de-sebo

Tomarei banhos de mar!

E quando estiver cansado

Deito na beira do rio

Mando chamar a mãe-d'água.

Pra me contar histórias

Que no tempo de eu menino

Rosa vinha me contar

Vou-me embora pra Pasárgada

Em Pasárgada tem tudo

É outra civilização

Tem um processo seguro

De impedir a concepção

Tem telefone automático

Tem alcalóide à vontade

Tem prostitutas bonitas

Para gente namorar

E quando eu estiver mais triste

Mas triste de não ter jeito

Quando de noite me der

Vontade de me matar

Lá sou amigo do rei

Terei a mulher que eu quero

Na cama que escolherei

Vou-me embora pra Pasárgada.

-Estrela da tarde, 1960 - "Estrela da Tarde" atesta a inquietação do poeta, sempre procurando novos recursos formais para expressar sua visão de mundo:

A onda

a onda anda
aonde anda
a onda?
a onda ainda
ainda onda
ainda anda
aonde?
aonde?
a onda a onda


São características da obra de Bandeira: emprego do verso livre, mas não com exclusividade. Mesmo em suas últimas obras Bandeira recorre a formas fixas, entre elas o soneto; até escreveu uma cantiga medieval: uma demonstração a mais de sua liberdade de expressão... É bom lembrar ainda que verso livre não é sinônimo de ausência de ritmo; aproveitamento da fala coloquial; poesia simples, direta; aproveitamento de fatos do cotidiano; sentimento de humildade diante dos fatos; humor; e visão de amor quase sempre tangenciando o erotismo, o amor físico.

Ele próprio afirmou: "... a poesia está em tudo - tanto nos amores quanto nos chinelos, tanto nas coisas lógicas como nas disparatadas". Bandeira não se ocupou de temas de natureza social ou de reflexão filosófica. Sua visão de mundo decorria da descoberta da poesia nos fatos corriqueiros, do dia-a-dia, ou nas experiências de vida do poeta.

Quando se relacionam os poemas de Bandeira à sua biografia, é necessário fugir do simplismo de achar que cada poema surgiu de um dado biográfico. Primeiro, porque essa relação só pode ser feita se ancorada em informações fornecidas pelo poeta - como é o caso de "Pneumotórax" ou mesmo de "Vou-me embora pra Pasárgada". Segundo, porque a partir do cotidiano o poeta recria poeticamente o mundo, dando à sua obra dimensão universal, ou seja, o cotidiano adquire significação simbólica e passa a ser aplicável a qualquer homem.


Obras De Manuel Bandeira:


POESIA: Poesias, reunindo A cinza das horas, Carnaval, O ritmo dissoluto (1924), Libertinagem (1930), Estrela da manhã (1936), Poesias escolhidas (1937), Poesias completas, reunindo as obras anteriores e mais Lira dos cinqüenta anos (1940), Poesias completas, 4a edição, acrescida de Belo belo (1948), Poesias completas, 6a edição, acrescida de Opus 10 (1954), Poemas traduzidos (1945), Mafuá do malungo, versos de circunstância (1948), Obras poéticas (1956), 50 Poemas escolhidos pelo autor (1955), Alumbramentos (1960), Estrela da tarde (1960).

PROSA: Crônicas da província do Brasil (1936), Guia de Ouro Preto (1938), Noções de história das literaturas (1940), Autoria das Cartas chilenas, separata da Revista do Brasil (1940), Apresentação da poesia brasileira (1946), Literatura hispano-americana (1949), Gonçalves Dias, biografia (1952), Itinerário de Pasárgada (1954), De poetas e de poesia (1954), A flauta de papel (1957), Prosa, reunindo obras anteriores e mais Ensaios literários, Crítica de Artes e Epistolário (1958), Andorinha, andorinha, crônicas (1966), Os reis vagabundos e mais 50 crônicas (1966), Colóquio unilateralmente sentimental, crônica (1968).

ANTOLOGIAS: Antologia dos poetas brasileiros da fase romântica (1937), Antologia dos poetas brasileiros da fase parnasiana (1938), Antologia dos poetas brasileiros bissextos contemporâneos (1946). Organizou os Sonetos completos e Poemas escolhidos de Antero de Quental, as Obras poéticas de Gonçalves Dias (1944), as Rimas de José Albano (1948) e, de Mário de Andrade, Cartas a Manuel Bandeira (1958).

O poeta de amplos recursos foi também um exímio tradutor de poesia. Além da bela coletânea dos seus Poemas traduzidos (1945), construiu textos notáveis ao passar para o português obras de Schiller (Maria Stuart, 1955), Shakespeare (Macbeth, 1961) e Brecht (O círculo de giz caucasiano, 1963), entre muitos outros autores. Manuel Bandeira morreu no Rio de Janeiro em 13 de outubro de 1968. Suas poesias completas haviam sido reunidas, pouco antes, em Estrela da vida inteira (1966).

Além de poeta, Manuel Bandeira exerceu também outras atividades: jornalista, redator de crônicas, tradutor, integrante da Academia Brasileira de Letras e também professor de História da Literatura no Colégio Pedro II e de Literatura Hispano-Americana na faculdade do Brasil, Rio de Janeiro.

Foi eleito para a Academia Brasileira de Letras, onde foi o terceiro ocupante da cadeira 24 cujo patrono é Júlio Ribeiro. Sua eleição ocorreu em 29 de agosto de 1940, sucedendo Luís Guimarães Filho, e foi recebido pelo acadêmico Ribeiro Couto em 30 de novembro de 1940.

Manuel Bandeira foi um dos nomes mais importantes do modernismo no Brasil, considerado um clássico da literatura brasileira no século XX, um dos maiores poetas do modernismo. Bandeira faleceu no dia 13 de outubro de 1968 com hemorragia gástrica aos 82 anos de idade, no Rio de Janeiro, e foi sepultado no mausoléu da Academia Brasileira de Letras, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.


Manuel Bandeira (3º da esquerda para direita em pé), Alceu Amoroso Lima (5ª posição) e Dom Hélder Câmara (7ª) e sentados (da esquerda para direita), Lourenço Filho, Roquette-Pinto e Gustavo Capanema, Rio de Janeiro, 1936

Fonte:
Cultura Brasil por Lázaro Curvêlo Chaves.
Wikipédia/manuel bandeira
Sua Pesquisa
Geocities
Fundação Casa de Rui Barbosa/Arquivo Manuel Bandeira

sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Ilhas Tropicais - Jaguanum, Férias de Lazer e Esporte Radical na Costa Verde

Sol, águas calmas, cristalinas e mata atlântica intocada. Assim podemos descrever a COSTA VERDE, um pedaço do paraíso entre Rio de Janeiro e São Paulo.



São 365 ilhas, 8 baías e 2.000 praias, compreendidas entre a pontas do Sino na restinga de Marambaia e da Juatinga em Paraty , tendo a Ilha Grande à frente do oceano protegendo a grande Baía.
Neste contexto, a leste da grande Baía, encontra-se um conjunto de ilhas conhecidas mundialmente por ILHAS TROPICAIS.
Há décadas, o turismo receptivo do Rio de Janeiro usa a região para apresentar ao turista as belezas naturais da região. Na maior das Ilhas, Jaguanum, localiza-se a praia do Araçá com 250 metros de extensão, areias claras, água limpa, vegetação exuberante e intocada da mata atlântica, pertence ao munícipio de mangaratiba, cidade de Itacuruçá, paraíso da costa verde.

Veleiros

Neste local, a Saveiros Tour está construindo um complexo de receptivo para passageiros de navios único no Brasil, onde os turistas poderão desfrutar do local como extensão do navio, e com exclusividade, o fundeio fica em frente, cerca de 2.000 metros da praia.



Paintball, Lan House

Pizzaria, Lanchonetes, churrascaria, sorveteria e Boutiques com artesanato local.





Rapel
Tirolesa



OBJETIVO: Ser referência brasileira em receptivo de navios.

VISÃO & MISSÃO: Captar patrocinadores que se identifiquem com o conceito do projeto e vejam um grande potencial em expor sua marca junto ao grande valor agregado de incentivo ao turismo, responsabilidade sócio-ambiental e potencial comercial. Ainda poder aproveitar a oportunidade de interagir com um grande público em pouco tempo e em um mesmo local.

Mercado

Cruzeiro Marítimo está com poder.



‘’ Os Cruzeiros Marítimos possuem um dos mais poderosos meios para expandir o turismo nacional.... o Cruzeiro garante o acesso a várias atividades de entretenimento com comodidade e segurança. ‘’


Movimentação financeira e segmentos que cresceram junto.

‘’ Em 2007, o turismo brasileiro contou com 352 mil empresas, movimentou 53 segmentos da economia, gerou dois milhões de empregos diretos e 5,4 milhões de empregos indiretos, com um peso de 2,2% no Produto Interno Bruto (PIB). Estes números, contudo, poderiam ser maiores.’’

‘’ A diversificação dos roteiros e novas e criativas opções na área do entretenimento constituem, também, importantes ferramentas de impulso. Há roteiros para todos os gostos e idades: Cruzeiros gastronômicos, passeios para solteiros, shows com artistas, festas comandadas por DJs famosos e até roteiros temáticos, como os de fitness....‘’

Fonte: Jaguanum Ilhas Tropicais
Contato: Ilhas tropicais

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Bossa Nova - Um Namoro Entre o Jazz e o Samba - II

A Bossa Nova:
"Há 50 anos, uma batida de violão, um jeito manso de cantar, um namoro entre samba e jazz e uma poesia alegre se misturava, criando algo realmente diferente. Uma nova bossa que, na época, era como uma novidade charmosa, com o frescor da juventude..."

Vinícius de Moraes


A muito tempo eu vinha reunindo informações para apresentar aqui um trabalho falando da "bossa nova". No programa Itau Cultural encontrei uma informação que me levou ao mais completo trabalho sobre bossa nova que conheço.
Trata-se de uma homenagem aos 50 anos da bossa nova, desenvolvido pelo Instituto Itaú Cultural, criado por seu presidente de honra Olavo Setubal.


Para conhecer esse trabalho sensacional, clique aqui.
A série especial Estéreo Saci da Rádio Itaú Cultural traz canções históricas recheadas de comentários sobre artistas, discos, parcerias, influências e curiosidades da bossa nova. Os programas, de cerca de 30 minutos, são apresentados por Fernanda Takai.
Você vai encontrar uma grande quantidades de fotos com personagens e momentos marcantes da bossa nova, biografias, vídeos com personalidades da época, reflexões escritas por vários autores.
No final você é convidado a participar da atualização do site na seção "Fotografei você", Enviando imagens que marcaram sua vida ou de sua família entre 1955 e 1965. As imagens irão compor um grande painel destes anos dourados.
Para quem é amante da bossa nova como eu sou, você vai amar esse trabalho primoroso.
Você também não pode deixar de conhecer o maior evento internacional da bossa nova, Festival da bossa nova no Carnegie Hall, New York, 1962.

Tom Jobim



Essa é minha dica para quem quer saber tudo de bossa nova, tenho certeza que você vai adorar!

Conheça os sites de músicos da bossa nova.

Fonte: Itaú Cultural